Vereador de Indaial e outros nove denunciados são notificados pela Justiça na Operação Pão e Circo
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) determinou a notificação do vereador de Indaial Carlos Eduardo Cunha, conhecido como Dudu Cunha (MDB), e de outras nove pessoas denunciadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) no âmbito da Operação Pão e Circo.
A decisão determina que os dez denunciados apresentem resposta preliminar à Justiça no prazo de 15 dias. Nesta fase, a determinação não representa condenação nem o recebimento definitivo da denúncia.
Após a manifestação das defesas, caberá ao Tribunal decidir se aceita ou não a acusação e instaura formalmente a ação penal.
A Operação Pão e Circo investiga um suposto esquema de direcionamento de licitações para contratação de shows e eventos públicos em municípios catarinenses.
Em relação ao vereador de Indaial, o Ministério Público atribui a suposta participação na formação de cartel e no loteamento ou divisão territorial do mercado de eventos na região.
Segundo a investigação, empresários do setor teriam formado um cartel para controlar contratações públicas, dividindo municípios entre os participantes, reservando previamente datas de artistas e simulando concorrência em processos licitatórios por meio de empresas ligadas ao mesmo grupo.
Além de Dudu Cunha, foram denunciados os empresários
- José Clemir Spinelli
- Maria Clara Martins
- Cleiciane Gomes
- Valmir Alberto da Silva
- Eder Coelho
- Devoncir Orlei Pasquali
- Ex-prefeito de Mafra Emerson Maas
- Ex-secretário municipal de Administração Adriano José Marciniak
- Ex-diretor municipal de Cultura Ernani Antonio Kvitschal Neto.
De acordo com o Ministério Público, os investigados podem responder, conforme a participação individual apontada nas investigações, por suspeitas relacionadas à formação de cartel, fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro.
As investigações apontam que as empresas envolvidas teriam participado de 461 licitações em Santa Catarina, vencendo 339 delas, o equivalente a cerca de 73,5% dos certames analisados. Os contratos investigados somam aproximadamente R$ 53,9 milhões.
Embora a operação tenha alcançado diversos municípios catarinenses, parte da denúncia concentra fatos relacionados a contratações realizadas pela Prefeitura de Mafra entre 2022 e 2024.
Quando foi alvo de mandados de busca durante a operação, Dudu Cunha confirmou que teve o celular e documentos apreendidos, mas negou participação em cartel ou qualquer irregularidade.
Posteriormente, durante manifestação na Câmara de Vereadores de Indaial, afirmou que somente a Justiça poderia julgá-lo e reiterou que apresentaria sua defesa.
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O fato de o parlamentar exercer mandato eletivo não implica afastamento automático do cargo, sendo necessária eventual decisão judicial ou procedimento próprio no Poder Legislativo para que isso ocorra.
Após a apresentação das defesas, o Tribunal de Justiça analisará se há elementos suficientes para receber a denúncia.
Caso isso ocorra, os denunciados passarão à condição de réus e o processo seguirá para a fase de instrução, com produção de provas e depoimentos.
Conforme a Constituição Federal, todos os denunciados são considerados inocentes até eventual condenação definitiva.







