Paraná será o primeiro da América do Sul a testar o Bonde Urbano Digital
Tecnologia inovadora promete transporte mais rápido, sustentável e de baixo custo entre Pinhais e Piraquara

O Paraná se prepara para estrear uma tecnologia inédita na América do Sul: o Bonde Urbano Digital (BUD), que será testado na linha Pinhais-Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.
O novo sistema de transporte público funciona de forma semelhante a um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), mas, em vez de trilhos, é guiado sobre o asfalto por meio de indução magnética, o que reduz significativamente os custos de implantação.

Fabricado pela empresa chinesa CRRC Nanjing Puzhen, o BUD combina características do VLT e do BRT (Bus Rapid Transit), sistema adotado em Curitiba desde os anos 1970.
Com a tecnologia Digital Rail Transit (DRT), o veículo elétrico se movimenta sobre pneus, guiado por sensores e marcadores magnéticos instalados no asfalto, dispensando trilhos físicos.

Na fase de testes, serão realizadas intervenções no pavimento para instalação dos sensores magnéticos e adaptações nos terminais de ônibus, com sinalização adequada.
Em Piraquara, será construída uma garagem de manutenção anexa ao terminal. O investimento do Estado nesta etapa é de cerca de R$ 6 milhões, e a previsão é que o sistema entre em operação em novembro deste ano.

O percurso do BUD terá 10 quilômetros de extensão, ligando o Terminal de Pinhais ao Terminal São Roque, em Piraquara, passando pela Avenida Ayrton Senna da Silva e pela Rodovia Deputado João Leopoldo Jacomel.
O veículo terá capacidade para 280 passageiros e, durante os testes, os ônibus convencionais continuarão operando normalmente.
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Tecnologia e diferenciais
Com 30 metros de comprimento, o Bonde Urbano Digital possui ar-condicionado, operação bidirecional e velocidade máxima de 70 km/h, superior à dos ônibus convencionais, que atingem até 60 km/h. Sua vida útil chega a 30 anos, três vezes mais do que a dos veículos atuais.
Entre os recursos tecnológicos estão rastreamento automático, orientação autônoma e proteção eletrônica ativa, com sensores, radares e câmeras que aumentam a segurança no trânsito, já que o veículo compartilha a via com outros automóveis, caminhões, motos e ônibus.
O sistema DRT também oferece vantagens econômicas e ambientais: o custo de implantação é até três vezes menor que o de um VLT, o tempo de implementação pode ser de apenas um ano para vias de até 15 quilômetros e o sistema é 100% elétrico, reduzindo gastos com combustível e manutenção do asfalto.
O BUD é movido por baterias de íons de lítio de 600 kWh, carregadas por pantógrafos aéreos — dispositivos instalados no teto para captar energia elétrica.
Com apenas 30 segundos de recarga, o veículo ganha autonomia de três a cinco quilômetros, e com 12 minutos de carga completa, pode operar por até 40 quilômetros. A tecnologia também permite futuras operações com hidrogênio.

Inspiração internacional
O projeto paranaense tem como referência o sistema implantado em Campeche, no México, o primeiro da América do Norte, em operação desde junho deste ano.
Lá, o modelo conta com uma linha de 15 quilômetros e cinco veículos que conectam diferentes pontos da cidade.
O Bonde Urbano Digital também está presente em cidades da China e em implantação na Austrália. O veículo que será usado no Paraná, composto por três vagões, chegou desmontado e está em processo de montagem, etapa que deve durar cerca de 30 dias.
Durante os testes, o BUD terá motorista, embora a tecnologia permita condução autônoma em parceria com órgãos de regulamentação de trânsito. O valor da passagem será o mesmo do transporte tradicional: R$ 5,50.









