Polícia Civil indicia 40 pessoas e aponta esquema organizado por trás da “farra do boi” em SC
O inquérito reuniu duas dezenas de ocorrências relacionadas à prática.

Após mais de um ano de apuração, a Polícia Civil responsabilizou 40 homens por envolvimento em episódios da chamada “farra do boi” no município de Governador Celso Ramos, no Litoral Norte catarinense. O inquérito reuniu duas dezenas de ocorrências relacionadas à prática, considerada ilegal no Brasil, e concluiu que os investigados podem responder por maus-tratos a animais e associação criminosa.
Segundo o G1, entre os citados estão diferentes perfis de atuação, desde participantes até pessoas que atuavam na organização, financiamento, transporte e comercialização dos bois. Um vereador também aparece entre os indiciados, embora os nomes não tenham sido divulgados oficialmente.
As investigações revelaram a existência de uma rede organizada para viabilizar os eventos. Grupos arrecadavam dinheiro de forma coletiva para custear a compra dos animais e arcar com despesas decorrentes da atividade, como multas e honorários advocatícios.
De acordo com o G1, a Polícia relatou que, a repetição dos mesmos envolvidos em diversas etapas da aquisição ao transporte evidenciou uma divisão de funções e um esquema estruturado de atuação.
A prática tem origem em costumes trazidos por colonizadores açorianos e costuma ocorrer durante a Quaresma, período que antecede a Páscoa no calendário cristão. O ritual envolve soltar um boi em uma área cercada, onde pessoas passam a instigar o animal, provocando reações até que ele corra atrás dos presentes, muitas vezes até atingir exaustão.
O G1 também divulgou que, estudiosos explicam que o simbolismo do boi está presente em diferentes culturas e, no contexto catarinense, foi historicamente associado à representação do mal, sem ligação direta com a figura de Judas. Outra interpretação aponta que a tradição também dialoga com práticas europeias envolvendo o confronto entre homem e animal, além de marcar o fim das restrições alimentares da Quaresma.
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Com o passar dos anos, a atividade passou a ser amplamente contestada e enquadrada como crime. Desde 1998, a legislação brasileira proíbe esse tipo de conduta. Em Santa Catarina, uma lei estadual mais recente prevê penalidades financeiras que podem chegar a R$ 20 mil para quem promove ou divulga a prática, e R$ 10 mil para participantes e demais envolvidos, com valores maiores em caso de reincidência.
Como forma de repressão, o governo estadual lançou recentemente uma operação específica para o período da Quaresma, com foco em intensificar a fiscalização e impedir a realização de novos eventos desse tipo.










