Fraudes no INSS: associações lançam descontos em benefícios de pessoas já falecidas e arrecadam R$ 2 bilhões
Ao todo, mais de 200 mil registros irregulares foram identificados.

Auditoria da Controladoria-Geral da União revelou que diversas associações de aposentados e pensionistas tentaram inserir beneficiários já falecidos em cadastros de descontos vinculados ao INSS.
Ao todo, mais de 200 mil registros irregulares foram identificados, indicando que algumas entidades buscavam aumentar artificialmente a receita proveniente das contribuições em folha.
Entre as organizações envolvidas, destacam-se grandes confederações como a CONTAG, a CONAFER e a SC. Segundo a CGU, a prática configura fraude grave, pois inclui pessoas que não podem, de fato, autorizar a associação.
O órgão explica que o procedimento correto envolve contato direto com o aposentado, coleta de documentos e envio formal da solicitação ao INSS, etapas que não foram cumpridas nos casos investigados.
Alguns registros chamam atenção pelo tempo decorrido desde o falecimento dos beneficiários. A AAB, por exemplo, solicitou a inclusão de descontos para mais de 27 mil pessoas já mortas, incluindo casos de óbitos ocorridos há mais de 20 anos, como o de Jaime dos Santos, que morreu em 2002.
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Apesar de os descontos não terem sido processados devido à inatividade dos benefícios, a CGU aponta que a falsificação evidencia irregularidade séria e fragiliza a confiabilidade das documentações apresentadas.
Mesmo sob investigação judicial, as associações continuaram a arrecadar grandes somas com os descontos, que chegaram a R$ 2 bilhões em apenas um ano, demonstrando o tamanho do impacto financeiro sobre o sistema previdenciário e a necessidade de medidas mais rigorosas para prevenir fraudes.










