Vigília contra projeto que cria cargos em Indaial mostra força da pressão popular
Comunidade lotou o plenário da Câmara de Vereadores

Faltou espaço no plenário da Câmara de Indaial na sessão desta quarta-feira, 5.
Com adesivo nas roupas com a inscrição “Não é só por 40 cargos”, os indaialenses lotaram a casa de leis. Muita gente teve que assistir a sessão em pé ou sentada no chão do corredor.
A presença massiva da população tem objetivo: fazer uma vigília para que o projeto de lei complementar 4/2025 enviado pelo executivo municipal criando 40 cargos comissionados não seja aprovado.
O Misturebas News apurou nos bastidores que houve pressão política para que o projeto fosse votado junto com outros dois que estavam em pauta nesta quarta e de interesse da população: o aumento do piso salarial do magistério (adequando à lei federal) e o reajuste do vale alimentação dos servidores.
A população pressionou e o PLC 4/2025 ficou de fora da pauta do dia.
Quem é contra a criação de cargos
Seis vereadores usaram a palavra para se posicionar contra o projeto.
De forma geral, eles alegaram que o município fechou o ano no vermelho (com déficit de R$ 20 milhões) e a cidade tem problemas mais urgentes que deveriam ser prioridade, como maquinário quebrado, iluminação pública deficiente, mais de mil crianças na fila de espera por uma consulta com neuropediatra, entre outros.
A vereadora Elaine afirmou não ser contra cargos comissionados.
“Há muitas pessoas em cargos comissionados que prestam um grande serviço ao município. Mas criar 40 cargos em um momento de crise é impossível aceitar”.
Elton Possamai reforçou a importância da participação popular e Dudu Cunha defendeu que a reforma administrativa contemplasse a redução e não o aumento de cargos.

A vereadora Carol, presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação, foi firme ao dizer que não vai aceitar ser coagida.
Fritz ponderou que se Indaial fosse uma empresa, já teria decretado falência. Lúcio Vanderline também prometeu votar contra o projeto.
Os vereadores defenderam que a prefeitura retire o projeto da Câmara.
Os outros parlamentares não se manifestaram.
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O projeto
Se for aprovado, o número de cargos comissionados em Indaial passará de 92 para 132.
A estimativa inicial, feita pela própria prefeitura, é que isso representaria pouco mais de R$ 5 milhões por ano com despesas adicionais de salários.
O texto inicial previa também aumentar os salários de secretários – que passariam de R$ 12.123,31 para R$ 16.166. Mas, diante da repercussão negativa, a prefeitura voltou atrás neste ponto do projeto.
Entidades se posicionaram contra
Diversas entidades se posicionaram contra a criação dos cargos. Entre elas estão a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e a ACIDI (Associação Empresarial de Indaial).
A população está realizando um abaixo-assinado contra a proposta.
** Este espaço está aberto para manifestação dos vereadores que ainda não se posicionaram e também do executivo para explicar o porquê a intenção de criar mais 40 cargos comissionados.










