Lula defende o Pix, reforça combate ao tráfico e manda indireta: “ninguém é dono da América do Sul”
Lula também criticou o protecionismo e defendeu maior integração entre os países do Mercosul.
Durante a cúpula do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso marcado por recados indiretos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sem mencionar o líder norte-americano pelo nome, Lula afirmou que nenhum país pode se considerar dono da América do Sul e defendeu que os integrantes do bloco mantenham independência em suas relações internacionais, priorizando os próprios interesses e ampliando parcerias.
Um dos principais temas abordados foi o Pix. O presidente classificou o sistema brasileiro de pagamentos como uma referência em inclusão financeira e eficiência digital e sugeriu que a tecnologia seja compartilhada com os demais países do Mercosul.
Segundo ele, uma infraestrutura integrada de pagamentos poderia reduzir custos, fortalecer o comércio entre os membros do bloco e ampliar o uso de moedas locais. A declaração ocorre após o governo americano citar o Pix ao justificar a proposta de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Na área da segurança, Lula afirmou que o crime organizado representa um dos maiores desafios da América do Sul por enfraquecer o Estado, intimidar comunidades e alimentar esquemas de corrupção.
Como medida para ampliar a cooperação regional, anunciou que o Brasil custeará, por um ano, a presença de delegados dos 12 países sul-americanos no escritório da Interpol, em Buenos Aires, para reforçar o combate ao tráfico internacional de drogas.
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O presidente também criticou o avanço do protecionismo no comércio internacional, afirmando que esse tipo de política aumenta as dificuldades econômicas e compromete o desenvolvimento. Além disso, defendeu uma estratégia conjunta para aproveitar as reservas de minerais críticos existentes na região, agregando valor à produção e fortalecendo a soberania dos países sul-americanos.
Lula ainda afirmou que o Mercosul precisa atuar de forma unificada diante do que chamou de “colonialismo digital”, para evitar que a região permaneça apenas como fornecedora de matérias-primas e consumidora de tecnologia produzida por grandes empresas.
Ao encerrar o pronunciamento, Lula voltou a defender a democracia e alertou para o avanço da desinformação e das ameaças às instituições. O presidente relembrou a tentativa de golpe registrada no Brasil em 2023 e afirmou que o respeito aos processos eleitorais e o diálogo entre governos e a sociedade são fundamentais para garantir a estabilidade política na América do Sul.
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