Alerta global: calor do Super El Niño pode estar ligado a 451 mil mortes; Brasil entra na lista dos mais afetados
Um estudo do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, projeta que o calor extremo associado ao atual episódio de Super El Niño poderá provocar cerca de 451 mil mortes adicionais no mundo.
A estimativa considera os próximos meses e coloca o Brasil entre os países com maior número de mortes projetadas, com aproximadamente 13,3 mil casos relacionados ao aumento das temperaturas.
A pesquisa foi divulgada em setembro de 2026 e procura estimar os efeitos do calor sobre a mortalidade durante o fenômeno climático.
Para chegar aos números, os pesquisadores analisaram a relação histórica entre temperaturas elevadas e mortes em 24.378 regiões do mundo, considerando as características climáticas de cada local e os diferentes níveis de vulnerabilidade e capacidade de adaptação da população.
O número de 451 mil não representa pessoas que já morreram. Trata-se de uma projeção de mortes adicionais associadas aos dias de calor extremo durante a primeira metade do episódio de El Niño.
Segundo o estudo, a estimativa pode ser atualizada conforme o fenômeno avance e novas informações sobre temperaturas e condições climáticas estejam disponíveis.
Brasil aparece entre os países mais atingidos
Na América do Sul, o Brasil apresenta a maior estimativa, com cerca de 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor provocado pelo El Niño.
O país aparece entre as regiões do mundo que, segundo o levantamento, devem concentrar uma parcela significativa dos impactos sobre a mortalidade.
O cenário projetado para o Brasil tende a ser mais crítico durante o período de maior calor.
O levantamento aponta que os efeitos do fenômeno não devem se restringir às temperaturas elevadas: alterações nos padrões de chuva também podem favorecer secas, incêndios florestais e inundações, ampliando os impactos sobre diferentes comunidades.
Os pesquisadores destacam que os efeitos não devem ser distribuídos de maneira uniforme pelo planeta.
O chamado Sul Global, que reúne grande parte dos países em desenvolvimento, concentra as maiores projeções de mortes relacionadas ao calor extremo.
África e Ásia concentram grande parte das projeções
Entre os cenários analisados, a região do Sahel, na África, aparece com uma das maiores concentrações de mortes adicionais.
Para os próximos seis meses, a estimativa é de aproximadamente 66,8 mil mortes relacionadas ao calor extremo na região.
A Nigéria concentra a maior parcela desse número, com cerca de 31,4 mil mortes projetadas. Na sequência aparecem o Sudão, com 17,5 mil, o Níger, com 10 mil, e o Chade, com aproximadamente 8 mil.
No Sudeste Asiático, o estudo estima aproximadamente 19,4 mil mortes adicionais nas Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja. A Indonésia aparece com projeção de 19,3 mil mortes, enquanto a Índia pode registrar cerca de 15,8 mil casos associados ao calor.
Os pesquisadores ressaltam que essas estimativas não significam que todas essas pessoas necessariamente morrerão.
O objetivo do levantamento é identificar regiões onde o calor extremo pode produzir maior impacto e, dessa forma, indicar onde medidas de prevenção podem ser adotadas com antecedência.
Calor extremo preocupa pesquisadores
Segundo o Climate Impact Lab, o atual episódio de El Niño pode provocar um aumento expressivo na exposição da população a temperaturas extremas.
O fenômeno também é considerado pelos pesquisadores uma espécie de “cartão-postal do futuro”, pois as temperaturas projetadas para este período podem se aproximar de condições que os modelos climáticos indicam para cerca de duas décadas à frente.
>>>Leia também: Avalanche desencadeia enchente devastadora e transforma vilarejos do Nepal em cenário de destruição
A comparação serve para mostrar como eventos extremos atualmente associados ao El Niño podem se tornar mais frequentes ou intensos em um cenário de mudanças climáticas, caso não sejam ampliadas as medidas de adaptação.
Para Michael Greenstone, cofundador do Climate Impact Lab e professor da Universidade de Chicago, a estimativa permite identificar antecipadamente os locais onde ações emergenciais podem ser direcionadas para reduzir o número de mortes.
Medidas podem reduzir os impactos
Apesar do número elevado apresentado na projeção, o estudo também destaca que ações de prevenção podem evitar parte dessas mortes.
Entre as estratégias apontadas estão sistemas de alerta antecipado para ondas de calor, criação de centros de resfriamento e medidas específicas para proteger pessoas que trabalham ao ar livre.
O levantamento também defende investimentos de longo prazo em adaptação, incluindo melhorias na previsão das temperaturas e maior acesso a tecnologias capazes de reduzir a exposição ao calor.
Os pesquisadores afirmam que direcionar recursos para as áreas consideradas mais vulneráveis pode ajudar a reduzir significativamente os impactos do fenômeno.
As projeções deverão ser atualizadas conforme o El Niño evoluir e novos dados forem incorporados ao modelo.
Dessa forma, o estudo funciona principalmente como um alerta para a preparação das autoridades e da população, indicando onde os efeitos do calor extremo podem ser mais severos e quais medidas podem ser adotadas antes que o período de temperaturas mais elevadas avance.








