Crise no Ueno Bank explode no Paraguai, deixa milhões de clientes sem acesso ao dinheiro e coloca presidente sob pressão
Banco Central assumiu o controle da instituição após detectar grave insuficiência de solvência; oito dirigentes foram presos, 27 pessoas acabaram acusadas e oposição pede impeachment de Santiago Peña

Uma grave crise financeira envolvendo o Ueno Bank, instituição que atende aproximadamente três milhões de clientes no Paraguai, provocou uma onda de preocupação entre correntistas e desencadeou uma turbulência política no país.
Conforme divulgado pelo Banco Central do Paraguai (BCP), a instituição entrou em processo de resolução após apresentar uma insuficiência grave de solvência, deixando clientes com dificuldades para acessar suas contas e movimentar dinheiro.
Segundo informações publicadas pela Reuters nesta quarta-feira (4), a crise provocou manifestações, cobranças por responsabilização e pedidos de impeachment contra o presidente Santiago Peña.
O episódio também resultou na renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e na detenção de oito dirigentes ligados à instituição financeira.
Banco Central identifica grave problema de solvência
De acordo com o comunicado oficial do Banco Central do Paraguai, divulgado em 3 de novembro, o procedimento de resolução foi aprovado após a constatação de que o índice de solvência do Ueno Bank havia caído para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação.
Segundo a autoridade monetária, a decisão foi tomada após ajustes nos demonstrativos financeiros da instituição durante um processo de regularização.
Conforme divulgado pelo BCP, a resolução prevê a atuação de interventores da Superintendência de Bancos, responsáveis por verificar a situação patrimonial da instituição e conduzir o procedimento de acordo com a legislação paraguaia.
O órgão afirmou que a prioridade é proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro. Segundo a Reuters, o Banco Central também classificou o caso como uma situação específica, sem indicar problemas generalizados no sistema bancário do país.
Milhões de clientes enfrentam dificuldades para recuperar depósitos
A suspensão das operações provocou preocupação entre os correntistas, que passaram a buscar informações sobre o acesso às economias mantidas na instituição.
Segundo informações da Associated Press (AP), o Ueno Bank possui aproximadamente três milhões de clientes e administra entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em recursos públicos.
Conforme divulgado pelo Banco Central do Paraguai, os depósitos estão sujeitos à cobertura do Fundo de Garantia de Depósitos, que possui um limite legal de proteção por cliente e instituição financeira.
A AP informou que a garantia pode alcançar aproximadamente US$ 38 mil por depositante, protegendo uma parcela significativa dos correntistas.
Entretanto, os valores que ultrapassarem o limite não possuem garantia automática de recuperação integral.
O pagamento das quantias cobertas e a recuperação dos depósitos excedentes dependerão dos procedimentos estabelecidos pelas autoridades paraguaias.
Recursos públicos e previdenciários ampliam preocupação
Outro ponto delicado envolve os recursos públicos administrados pelo banco.
Segundo reportagem da Associated Press, a instituição mantinha aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo cerca de US$ 380 milhões vinculados ao sistema estatal de previdência e saúde.
De acordo com a Reuters, o volume de dinheiro público mantido no Ueno Bank aumentou a preocupação sobre possíveis impactos nos pagamentos de aposentadorias e benefícios sociais.
A situação também provocou cobranças de autoridades e representantes políticos sobre a necessidade de garantir a recuperação desses valores.
O destino dos recursos públicos e previdenciários deverá ser esclarecido durante o processo de resolução e as investigações conduzidas pelas autoridades paraguaias.
Ministério Público confirma oito detenções
A crise passou a ser investigada criminalmente após uma denúncia apresentada pelo Banco Central do Paraguai.
Conforme divulgado pelo Ministério Público paraguaio em 3 de novembro, o fiscal Francisco Cabrera, da Unidade Especializada em Delitos Econômicos e Anticorrupção, confirmou a detenção de dirigentes da instituição.
Segundo a Fiscalía, a investigação analisa aproximadamente 200 páginas da denúncia e um conjunto documental que chega a cerca de duas mil folhas.
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O Ministério Público informou que entre as hipóteses investigadas estão possíveis crimes de lesão de confiança, conduta indevida em situações de crise, estafa e outras irregularidades econômicas.
De acordo com a Reuters, oito dirigentes ligados ao Ueno Bank foram detidos no âmbito da investigação.
Investigação aponta operações de mais de US$ 166 milhões
O caso ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (4).
Conforme divulgado oficialmente pelo Ministério Público do Paraguai, quatro agentes fiscais apresentaram acusação formal contra 27 pessoas ligadas ao Ueno Bank e a empresas relacionadas à instituição.
Segundo a Fiscalía, as suspeitas envolvem operações financeiras realizadas entre 2025 e 2026, incluindo empréstimos e descobertos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador.
De acordo com o documento de acusação, os investigadores identificaram possíveis falhas na avaliação de risco, concessão de créditos sem garantias suficientes e operações que teriam comprometido os ativos do banco.
O Ministério Público informou que os saldos pendentes das operações investigadas chegam a US$ 166.984.879,33 e 343.157.246.557 guaranis.
Conforme a acusação, parte dos recursos teria sido transferida para outras empresas relacionadas ao mesmo grupo econômico.
A Fiscalía solicitou medidas cautelares pessoais e patrimoniais contra os investigados, incluindo restrições sobre bens e contas bancárias.
As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os envolvidos têm direito à defesa e à presunção de inocência.
Vínculos empresariais de Santiago Peña ampliam crise política
A crise também passou a atingir diretamente o governo paraguaio.
Segundo a Reuters, Santiago Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025.
A relação empresarial anterior do presidente com o grupo passou a ser questionada por opositores, que cobram explicações sobre possíveis conflitos de interesse e a atuação das autoridades responsáveis pela fiscalização da instituição.
Conforme divulgado pela Reuters, Peña solicitou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, após os acontecimentos envolvendo o banco.
Carvallo apresentou sua renúncia na terça-feira (3), mas afirmou que permaneceria no cargo durante o processo de resolução da instituição.
Segundo a agência, o presidente também defendeu medidas para acelerar os pagamentos aos correntistas e garantir a recuperação dos recursos públicos.
Oposição pede impeachment e protestos aumentam pressão
De acordo com a Reuters, 35 parlamentares da oposição apresentaram pedidos de julgamento político contra Santiago Peña e solicitaram a convocação de uma sessão extraordinária do Congresso.
Os opositores acusam o presidente de possíveis conflitos de interesse, uso inadequado de recursos previdenciários e tentativa de encobrir irregularidades relacionadas à crise bancária.
Conforme divulgado pela agência, a oposição ainda não possui os votos necessários para avançar com o impeachment, embora tenha recebido apoio de parlamentares dissidentes do partido governista.
A crise também provocou manifestações em Assunção, com correntistas cobrando acesso às economias e explicações sobre o destino dos recursos.
Segundo a Reuters, Peña afirmou que os interesses dos depositantes devem ser priorizados e que os responsáveis por eventuais irregularidades deverão responder perante a Justiça.
Quem deve responder pelas perdas dos clientes e aposentados?
A crise do Ueno Bank levanta uma questão central: caso sejam confirmados prejuízos, quem deverá assumir a responsabilidade pela recuperação dos valores?
Segundo as informações divulgadas pelo Banco Central do Paraguai, os depositantes contam com mecanismos de garantia previstos na legislação. Entretanto, a recuperação de valores superiores ao limite protegido dependerá da situação patrimonial da instituição e das decisões tomadas durante o processo de resolução.
Já o Ministério Público investiga possíveis responsabilidades de dirigentes e pessoas ligadas às operações financeiras analisadas.
Caso sejam comprovadas irregularidades, os responsáveis poderão enfrentar consequências civis e criminais, conforme as decisões judiciais.
A atuação das autoridades reguladoras também poderá ser examinada diante dos questionamentos sobre a fiscalização do banco.
Enquanto as investigações avançam, milhões de correntistas aguardam informações sobre a recuperação de suas economias.
A crise também coloca o governo de Santiago Peña sob pressão, em um episódio que combina instabilidade financeira, suspeitas de irregularidades e uma crescente disputa política no Paraguai.
Confira!








