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Decisão judicial impede prisões por prática de naturismo em praia catarinense

Foi avaliado que o naturismo não se enquadra no crime de ato obsceno.

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Uma decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina determinou que frequentadores da Praia da Galheta não podem ser alvo de abordagem policial apenas por estarem nus no local. O entendimento foi definido após o julgamento de um habeas corpus preventivo e estabelece que a nudez sem conotação sexual, quando ocorre no mar ou na faixa de areia, não deve ser tratada como crime.

Segundo divulgado pelo G1, a maioria dos desembargadores seguiu o posicionamento apresentado por João Marcos Buch, que avaliou que o naturismo não se enquadra no crime de ato obsceno previsto no Código Penal. O voto contou com o apoio de Alexandre Morais da Rosa e superou o entendimento inicial da relatora Andrea Studer.

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A ação judicial foi apresentada pela Associação Amigos da Galheta, que buscava evitar que pessoas fossem conduzidas à delegacia ou autuadas apenas pela prática do naturismo. Para os magistrados que formaram a maioria, a legislação penal não deve ser utilizada para suprir a falta de regras administrativas nem para impor julgamentos morais sobre comportamentos sociais que já ocorrem há décadas no local.

Ainda segundo o G1, mesmo com a decisão, o tribunal definiu limites para a prática. A proteção vale somente dentro da área da praia e no mar, não se aplicando a trilhas de acesso, costões, estacionamentos ou regiões de vegetação. O poder público também continua autorizado a fiscalizar o espaço e agir em situações que envolvam crimes ou infrações, como assédio, atos de natureza sexual ou danos ambientais.

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A discussão sobre o naturismo na região continua no campo legislativo. A área integra o Monumento Natural Municipal da Galheta, criado em 2016, quando normas anteriores que mencionavam a prática foram revogadas. Desde então, a regulamentação depende de um Plano de Manejo e de uma legislação específica que ainda está em análise pelos vereadores da capital.

Conhecida internacionalmente entre praticantes do naturismo, a Galheta recebe visitantes de diferentes países e é considerada a única praia de Florianópolis historicamente associada a esse tipo de prática. O movimento está presente na região há mais de quatro décadas e segue gerando debates entre apoiadores e pessoas contrárias ao nudismo no local.

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