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Adeus ao símbolo das ruas: orelhões serão extintos em todo o Brasil até o fim de 2028

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Por décadas, eles foram ponto de encontro, pedido de socorro e única forma de comunicação em muitas cidades.

Agora, os telefones de uso público, os populares orelhões, têm data marcada para sair de cena em todo o país. Os últimos cerca de 30 mil aparelhos ainda em funcionamento serão desativados gradualmente até 31 de dezembro de 2028.

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Lançados oficialmente em 1972, os orelhões fazem parte da história urbana brasileira. O icônico design em formato de concha foi criado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no Brasil, e virou referência mundial.

Adeus ao símbolo das ruas: orelhões serão extintos em todo o Brasil até o fim de 2028
Orelhões na rua Rudolfo Piske, no bairro Padre Martinho Stein em Timbó. (Créditos: Fábio Ferrari – Misturebas News)

No auge, a rede chegou a contar com mais de 1,5 milhão de terminais espalhados por ruas, praças e rodoviárias.

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Apesar da extinção anunciada, algumas unidades ainda resistem em pontos específicos e fazem parte do cotidiano de moradores. Em Timbó, por exemplo, ainda há orelhões instalados em locais como nos bairros Padre Martinho Stein e no bairro Pomeranos, onde os aparelhos seguem visíveis.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, a retirada definitiva dos orelhões está diretamente ligada ao encerramento dos contratos de concessão da telefonia fixa.

Firmados em 1998, esses contratos obrigavam as concessionárias a manter os telefones públicos como contrapartida do serviço. Eles chegaram oficialmente ao fim em dezembro de 2025.

Com isso, o governo federal e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) promoveram a adaptação das concessões para o modelo de autorizações, regido pelo regime privado.

Nesse novo formato, a extinção gradual dos telefones públicos passou a integrar o plano de universalização do acesso à telefonia no país.

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Segundo a Anatel, o fim das concessões abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre o modelo do setor, com foco em estimular investimentos em infraestrutura de banda larga, considerada hoje prioridade para a conectividade nacional.

Onde os orelhões ainda resistem

Apesar da aposentadoria anunciada, cerca de 9 mil telefones de uso público ainda permanecerão ativos temporariamente em localidades onde não exista, ao menos, cobertura de telefonia móvel 4G.

A maior concentração desses aparelhos está no estado de São Paulo, e a localização pode ser consultada no site da Anatel.

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Créditos: Fábio Ferrari – Misturebas News

A agência explica que as empresas assumiram o compromisso de manter a oferta do serviço de voz, incluindo os orelhões ou soluções equivalentes, em localidades onde sejam as únicas prestadoras, até o prazo final de 2028, utilizando qualquer tecnologia disponível.

O papel das operadoras

A Oi é atualmente a concessionária com maior número de orelhões no país, com 6.707 unidades.

Vivo, Algar e Claro/Telefônica devem desligar suas redes ainda este ano, restando cerca de 2 mil aparelhos sob responsabilidade dessas empresas.

Outros 500 telefones públicos pertencem à Sercomtel e estão localizados nos municípios de Londrina e Tamarana, no Paraná. Esses equipamentos só poderão ser retirados após a adaptação contratual necessária.

A transição do modelo foi ainda mais complexa por conta da situação financeira da Oi, que enfrenta crise desde 2016 e possui processo de falência em andamento.

Investimentos em troca da retirada

Em contrapartida ao fim dos orelhões, as operadoras se comprometeram a realizar uma série de investimentos em infraestrutura de telecomunicações no país.

Orelhão na rua Frederico Schumann, no bairro Pomeranos, em Timbó. (Créditos: Fábio Ferrari -Misturebas News)

Entre eles estão a implantação de redes de fibra óptica em localidades sem cobertura, instalação de antenas de telefonia celular com tecnologia mínima 4G, expansão da rede móvel em municípios, lançamento de cabos submarinos e fluviais, conectividade em escolas públicas e construção de data centers.

E os orelhões “sem obrigação”?

Ainda existem orelhões no país cuja manutenção já não é obrigatória para as operadoras. Nesses casos, o desligamento pode ser solicitado diretamente à empresa responsável.

Se não houver atendimento, o pedido pode ser feito à Anatel pelo telefone 1331 ou pelo portal oficial da agência.

Com a popularização dos celulares e da internet móvel, os orelhões perderam sua função prática, mas permanecem como um símbolo marcante da comunicação no Brasil.

Até 2028, eles deixam definitivamente as ruas, encerrando um capítulo histórico da vida urbana brasileira.

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