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Governo decide não incluir a vacina contra herpes-zóster no SUS por custo elevado

Imunizante de alta eficácia foi considerado não custo-efetivo após análise da Conitec

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O Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina recombinante contra o herpes-zóster, conhecida comercialmente como Shingrix.

A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União e teve como base a avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que considerou o imunizante não custo-efetivo diante do impacto orçamentário estimado.

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A vacina, que apresenta eficácia superior a 90% e proteção mais duradoura quando comparada à versão mais antiga feita com vírus vivo atenuado, seria destinada a idosos com 80 anos ou mais e a pessoas imunocomprometidas a partir de 18 anos.

Entre esse público estão pacientes com HIV, transplantados, pessoas em tratamento oncológico e portadores de doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide.

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De acordo com o relatório da Conitec, a incorporação da vacina ao SUS poderia gerar um custo de R$ 1,2 bilhão por ano com a vacinação de cerca de 1,5 milhão de pessoas.

No quinto ano, a imunização dos pacientes restantes teria custo estimado em R$ 380 milhões, totalizando um investimento de aproximadamente R$ 5,2 bilhões em cinco anos.

Com base nesses números, o imunizante foi classificado como não custo-efetivo para o sistema público de saúde.

O Comitê de Medicamentos da Conitec reconheceu a relevância da vacina para a prevenção do herpes-zóster, mas destacou a necessidade de negociações adicionais em relação ao preço, de forma a tornar o impacto financeiro sustentável para o SUS.

A portaria ressalta que a decisão pode ser revista caso novos fatos ou dados sejam apresentados para uma nova avaliação.

A decisão gerou críticas de especialistas e ex-gestores da área da saúde, que apontam que a análise considerou de forma rígida apenas o custo imediato, sem levar em conta possíveis economias futuras com a redução de internações, tratamentos prolongados e complicações associadas à doença, além do impacto positivo na qualidade de vida dos pacientes mais vulneráveis.

O debate também ocorre em meio a comparações com outros gastos do governo federal. Dados públicos indicam que as despesas com viagens oficiais somaram mais de R$ 4,5 bilhões em 2023 e 2024, além de valores expressivos também em 2025.

Para críticos da decisão, o contraste reforça a percepção de que despesas administrativas e políticas acabam sendo priorizadas em detrimento de ações preventivas na área da saúde.

O herpes-zóster é causado pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece no organismo e pode ser reativado ao longo da vida, especialmente em idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido.

>>>> LEIA TAMBÉM: Vacina contra o vírus da bronquiolite chega ao SUS; gestantes de SC serão imunizadas já em dezembro

Os primeiros sintomas incluem queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa e cansaço, seguidos pelo surgimento de manchas e bolhas que evoluem para crostas. As lesões costumam aparecer em apenas um lado do corpo e seguem o trajeto de um nervo, com duração média de duas a três semanas.

Embora muitos casos evoluam para cura espontânea, a doença pode causar complicações graves, afetando a pele, o sistema nervoso, os olhos e os ouvidos.

Dados do SUS apontam que, entre 2008 e 2024, foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações por herpes-zóster no Brasil.

Já entre 2007 e 2023, o país contabilizou 1.567 mortes relacionadas à doença, sendo 90% dos óbitos em pessoas com 50 anos ou mais e mais da metade em idosos acima de 80 anos.

Atualmente, o SUS oferece tratamento sintomático nos casos leves, com medicamentos para dor, febre e coceira, além de orientações de cuidados com a pele.

Em situações de maior risco, como em idosos e imunocomprometidos, é indicado o uso do antiviral aciclovir. A vacina recombinante, apesar de disponível na rede privada, possui custo elevado, o que dificulta o acesso para grande parte da população.

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