Casal que viralizou por “fila de adoção de 6 horas” é preso por maus-tratos aos filhos em Jundiaí
Casal é preso por suspeita de agressões aos filhos adotivos.

A enfermeira Mayara Coraci, 36 anos, e o marido, o engenheiro Erik Coraci, 42, foram presos em flagrante na última quarta-feira (12/11) em Jundiaí (SP), suspeitos de submeter os três filhos adotivos a agressões físicas e maus-tratos.
O casal ganhou notoriedade nas redes sociais após afirmar que aguardou apenas seis horas na fila de adoção — relato que viralizou e gerou debates sobre o sistema de acolhimento no país.
A investigação teve início após a escola de um dos meninos, de 10 anos, acionar o Conselho Tutelar. A instituição relatou que o garoto faltava às aulas com frequência e, ao comparecer, apresentava lesões visíveis.
Uma conselheira foi até o local e encontrou o menino “visivelmente machucado, com hematomas recentes na mão e na região lombar, dificuldade para andar e dor intensa”, conforme o boletim de ocorrência registrado no 1º Distrito Policial da cidade.
Ao ser questionado, o menino contou ter sido agredido pela mãe com uma raquete e relatou que sofria castigos físicos diariamente. Segundo ele, o pai tinha conhecimento das agressões e, em algumas ocasiões, também participava.
O irmão de 8 anos confirmou as denúncias, mostrando cicatrizes antigas que, segundo ele, eram resultado de agressões anteriores. A irmã mais nova, de 4 anos, também foi retirada do convívio familiar e encaminhada a proteção.
Levado ao hospital, o menino de 10 anos reafirmou todas as acusações e revelou novos episódios de violência. Ele disse que Mayara chegava a arrancar seus cabelos, apertar sua genitália e que uma vez a mãe quebrou uma garrafa em seu braço.
O garoto relatou ainda que já ficou 15 dias sem tomar banho e por vezes era impedido de comer como forma de punição.
O médico responsável realizou exame clínico e constatou múltiplas fraturas e alterações abdominais, compatíveis com agressões reiteradas.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o flagrante foi formalizado ainda na noite de quarta-feira. Mayara e Erik permaneceram detidos e ficaram à disposição da Justiça.
As crianças foram acolhidas e passarão por acompanhamento médico e psicológico.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que deve solicitar novas perícias e ouvir outros possíveis testemunhos para esclarecer a extensão dos maus-tratos e o histórico de violência na residência.
O casal havia conquistado grande alcance na internet meses atrás ao relatar que conseguiu concluir o processo de adoção em apenas seis horas — número incomum diante da burocracia e da fila extensa no sistema brasileiro. O episódio gerou grande repercussão, com milhares de comentários positivos à época.
Com a prisão, o vídeo e as publicações antigas voltaram a circular, desta vez acompanhados de indignação.
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Conselheiros tutelares e especialistas reforçam que casos de adoção precisam ser rigorosamente acompanhados para garantir que crianças e adolescentes estejam realmente em ambiente seguro.
A Justiça deve decidir nos próximos dias sobre a manutenção da prisão e sobre os próximos passos em relação à guarda das crianças.









