Máscara da Galinha Pintadinha transforma sessões de radioterapia e emociona família de menino de 2 anos em Blumenau

Um tratamento contra o câncer que costuma ser cercado por equipamentos, procedimentos delicados e momentos difíceis ganhou cores, música e carinho no Hospital Santo Antônio, em Blumenau.
O pequeno Apollo Cachoeira dos Santos Silva, de apenas 2 anos, encontrou na Galinha Pintadinha uma aliada inesperada durante as sessões de radioterapia, tornando a rotina hospitalar mais leve e acolhedora.

A iniciativa faz parte de uma ação humanizada desenvolvida no hospital, que personaliza máscaras utilizadas em tratamentos de radioterapia infantil com personagens queridos pelas crianças.
O resultado vai muito além da estética: ajuda a reduzir o medo, aproxima os pequenos do ambiente hospitalar e cria uma experiência mais tranquila durante o processo.

Durante tratamentos de tumores na cabeça, pescoço, face ou sistema nervoso central, pacientes precisam utilizar uma máscara termoplástica, peça fundamental para garantir precisão e segurança nas aplicações da radioterapia.
O equipamento é confeccionado a partir de um material que reage ao calor: inicialmente rígido, ele é aquecido em água quente até se tornar maleável e, então, moldado diretamente no rosto do paciente.
Tradicionalmente, essas máscaras possuem aparência simples, geralmente na cor branca.
Mas no Hospital Santo Antônio elas ganharam novas formas e cores. Personagens como Homem-Aranha e Lanterna Verde já fizeram parte dessa iniciativa, mas foi a Galinha Pintadinha que recentemente conquistou um lugar especial no tratamento de Apollo.

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Natural de Itajaí, o menino enfrenta um ciclo de 33 sessões de radioterapia para tratar um ependimoma no quarto ventrículo, um tumor primário do sistema nervoso central originado nas células ependimárias.
Atualmente, Apollo já está na metade do tratamento e diariamente viaja ao lado dos pais, Paulo e Paola, até Blumenau para realizar as sessões.

A escolha da personagem aconteceu logo nas primeiras consultas, quando a equipe de enfermagem e a médica radioterapeuta responsável pelo tratamento, Vanessa Silveira, procuraram conhecer melhor o universo do menino e perguntaram à família qual era seu personagem favorito.
A resposta veio sem dúvidas: Galinha Pintadinha.
A partir dali, a equipe começou a transformar o ambiente. Imagens da personagem foram colocadas na sala de radioterapia e chamaram a atenção do pequeno paciente desde os primeiros dias.
Segundo o pai, a mudança foi imediata.
“Quando chegamos no outro dia e ele viu a personagem na parede, já ficou todo feliz. Agora, sempre que chega, já olha para dentro da sala e fala da ‘Cocó’. Depois surgiu a ideia de fazer a máscara personalizada e ele adorou. Hoje, ficou muito mais tranquilo para ele fazer a radioterapia, porque entra na sala reconhecendo os personagens e se sentindo mais confortável. A equipe conseguiu deixar o ambiente mais leve e acolhedor”, relata.
Além da máscara personalizada, o setor também desenvolve cuidados específicos para os pacientes mais novos.
A Enfermeira Supervisora da Oncologia, Kéren Augusto Sampaio, explica que a radioterapia infantil segue os mesmos princípios técnicos utilizados em adultos, mas exige uma atenção ainda maior por causa do desenvolvimento do organismo das crianças.
Segundo ela, cada tratamento é planejado individualmente para minimizar possíveis efeitos da radiação e garantir mais segurança e qualidade de vida ao paciente.
Em alguns casos, também é necessária sedação para que a criança permaneça imóvel durante as sessões.
O cuidado, porém, não se limita apenas aos protocolos médicos.
Na última terça-feira (19), Apollo completou 2 anos e recebeu uma surpresa preparada pela equipe do hospital. A sala de radioterapia ganhou balões e decoração temática da Galinha Pintadinha para celebrar a data.
A pequena festa emocionou a família e transformou mais um dia de tratamento em uma lembrança especial.
Agora, a família vive a expectativa pela reta final do tratamento.
“Estamos vivendo a contagem regressiva e muito felizes por estar chegando ao fim do tratamento”, conta o pai.
Mais do que equipamentos e procedimentos, histórias como a de Apollo mostram que pequenos gestos podem fazer grande diferença. Em meio aos desafios de uma batalha tão delicada, uma personagem infantil acabou se tornando símbolo de acolhimento, força e esperança.










