Santa Catarina já registra 1.806 mortes por infarto agudo do miocárdio somente em 2025, segundo dados preliminares da Secretaria de Estado da Saúde, com base no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. O levantamento considera óbitos ocorridos até 2 de setembro deste ano.
No mesmo período, também foram confirmadas 697 mortes por acidente vascular cerebral (AVC), totalizando 8.418 óbitos por doenças cardiovasculares no estado.
Em 2024, as doenças do coração foram responsáveis por 13.967 mortes em Santa Catarina, sendo 3.023 por infarto e 1.243 por AVC. Nos dois anos, o infarto aparece como a principal causa de óbitos relacionados ao sistema cardiovascular.
Cenário nacional e mundial
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 19,8 milhões de pessoas morreram em 2022 por doenças cardiovasculares, o que representa 32% de todas as mortes no planeta. Entre elas, 85% tiveram como causa o infarto ou o AVC.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 1,6 milhão de atendimentos ambulatoriais relacionados ao infarto apenas no primeiro semestre de 2025. Nos anos anteriores, os números foram ainda maiores: 2,9 milhões em 2024 e 2,6 milhões em 2023. Quanto aos óbitos, foram 94.008 em 2023 e 93.641 em 2024.
No caso do AVC, o Ministério da Saúde investiu quase R$ 950 milhões entre 2023 e junho de 2025 para custear procedimentos hospitalares e ambulatoriais. Ainda assim, as mortes seguem em patamares elevados: 33.759 em 2023 e 192.220 em 2024.
O papel da acreditação hospitalar
A rapidez no diagnóstico é considerada essencial para salvar vidas em casos de infarto. Nesse contexto, a acreditação hospitalar — certificação que avalia padrões de qualidade e segurança em instituições de saúde — se torna um diferencial importante.
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Segundo Gilvane Lolato, gerente geral de Operações da Organização Nacional de Acreditação (ONA), protocolos clínicos exigidos pela acreditação ajudam equipes a identificar o infarto com mais agilidade.
“A acreditação exige a adoção de protocolos baseados em evidências, como o de dor torácica, que orienta os profissionais a realizar um eletrocardiograma em até 10 minutos após a chegada do paciente. Essas medidas salvam vidas”, explica.
Gilvane destaca ainda que hospitais acreditados reduzem riscos de diagnósticos tardios, aplicam checklists, padronizam fluxos clínicos e investem constantemente na capacitação de suas equipes.
“É essencial que médicos, enfermeiros e demais profissionais estejam preparados para agir com rapidez e segurança, evitando falhas de comunicação”, completa.
A acreditação no Brasil
Atualmente, o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) reúne mais de 380 mil organizações, mas apenas 0,45% delas são certificadas.
A ONA responde por 74% das acreditações vigentes no país, abrangendo mais de 1.700 instituições, das quais 430 são hospitais.
A maioria está concentrada no Sudeste (61%), seguida pelo Sul (12,7%), Nordeste (12,1%), Centro-Oeste (11,4%) e Norte (2,8%). Entre os perfis, 68,7% das acreditações pertencem à gestão privada, 22,2% à pública, 8,3% à filantrópica e 0,1% à militar.
Alerta para Santa Catarina
Com quase duas mil mortes por infarto em menos de nove meses, Santa Catarina repete um cenário preocupante de saúde pública.
Especialistas reforçam que o atendimento rápido, aliado a equipes treinadas e protocolos clínicos eficazes, é o principal fator para evitar que o número de vítimas continue crescendo até o fim do ano.







