Fraudes na saúde de Rio do Sul: MPSC denuncia 12 pessoas por desvios de mais de R$ 11 milhões
Ex-secretárias de Saúde e médico apontado como líder do esquema estão entre os denunciados; contratos teriam sido direcionados e superfaturados

Uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) revelou o que pode ser um dos maiores esquemas de corrupção recente na saúde pública de Rio do Sul.
A denúncia, protocolada no início de setembro, envolve 12 pessoas acusadas de integrar uma rede de fraudes que teria desviado mais de R$ 11 milhões dos cofres públicos.
O caso traz à tona um padrão recorrente em esquemas de corrupção municipal: o uso de licitações manipuladas, empresas recém-criadas e servidores com acesso direto às decisões administrativas.
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Segundo o MPSC, os contratos eram montados para beneficiar um grupo restrito de empresários e agentes públicos, com distribuição de lucros ilegais entre os envolvidos.
Entre os acusados estão duas ex-secretárias municipais de Saúde, Roberta Hochleitner e Sueli Teresinha de Oliveira, além do médico e empresário Gregori Fernando Bertagnolli, que, segundo o MPSC, liderava a organização criminosa.
Outros denunciados são:
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James Werner Heesch – empresário envolvido na criação de empresas e na gestão paralela dos recursos;
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Eládio Ramos e Claudete Hoepers – acusados de falsificação de orçamentos;
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Jelton da Silva e Almir Abud de Moraes – ligados à criação da empresa Gestão Médica Alto Vale Ltda.;
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Carina Buzzi – apontada como responsável por movimentação financeira e controle de planilhas;
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Saulo José Elias, Josiane Carlesso e Morgana Rieg – supostamente envolvidos com a MAC Carlesso Eletro Ltda.
De acordo com a denúncia, o grupo teria manipulado editais públicos, direcionado contratações e utilizado empresas de fachada para desviar recursos.
Entre as práticas apontadas estão o superfaturamento de contratos, com repasses de até 25% para intermediários e agentes públicos; a falsificação de orçamentos para embasar dispensas de licitação; e a ocultação da origem dos valores desviados por meio de movimentações entre contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados.
Em relação aos contratos, três processos de contratação foram citados na denúncia:
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Pregão nº 40/2024 – vencido pela Gestão Médica Alto Vale Ltda., criada dias antes da licitação e única participante do processo;
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Dispensa nº 23/2024 – teria envolvido orçamentos falsificados e beneficiado diretamente Roberta, Gregori, James e Sueli;
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Dispensa nº 43/2024 – relacionada à MAC Carlesso Eletro Ltda., em que Sueli teria recebido R$ 9 mil em espécie.
Em outro episódio mencionado, Sueli foi flagrada, em novembro de 2024, com R$ 7 mil em dinheiro vivo, valor que teria sido entregue por Gregori um dia antes de uma operação da polícia.
Se a denúncia for aceita pela Justiça, os acusados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
O Ministério Público classificou o caso como de “alta complexidade”. As ex-secretárias Roberta Hochleitner e Sueli Oliveira negam envolvimento nos crimes.
Em nota assinada pelo advogado Fernando Claudino D’Ávila, a defesa afirma que ambas ainda não foram formalmente citadas e, por isso, não tiveram acesso completo aos autos.
Segundo a nota, um posicionamento mais detalhado será apresentado apenas após a intimação oficial.
A nota finaliza dizendo que as acusadas “prestarão todos os esclarecimentos necessários à Justiça” e manifesta confiança na comprovação da inocência das duas.
Até o momento, os demais denunciados não se manifestaram. O espaço segue aberto para que todas as defesas possam apresentar suas versões dos fatos.










