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Efeito das tarifas de Trump começa a atingir alimentos no Brasil: carnes e frutas em queda, café sobe

Entre 24 de junho e 21 de julho, o valor da carne no atacado caiu quase 8%.

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A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de importação de 50% sobre produtos brasileiros já está provocando reflexos no mercado interno.

Embora ainda não se possa afirmar com certeza que as oscilações nos preços sejam resultado direto da medida, especialistas apontam para uma correlação crescente. Enquanto carnes e frutas registram queda de preço no atacado, o café vai na direção oposta e tem valorização tanto no mercado externo quanto interno.

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A redução nos valores das carnes bovinas, por exemplo, reflete o redirecionamento da produção inicialmente voltada para exportação. Frigoríficos que atendem o mercado americano estão canalizando os produtos para o consumo interno, o que amplia a oferta e pressiona os preços.

Entre 24 de junho e 21 de julho, o valor da carne no atacado caiu quase 8%, movimento reforçado pela sazonalidade e pela baixa demanda típica do inverno. Segundo divulgado pelo O Globo, o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea/USP, relatou que grandes empresas do setor, como JBS e Minerva, possuem unidades no exterior que podem suprir os pedidos norte-americanos, enquanto deslocam a produção nacional para o mercado interno.

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Esse movimento deve chegar ao consumidor final em agosto, embora os especialistas evitem prever o quanto da redução será efetivamente repassado. O economista Fábio Romão, da LCA 4Intelligence, destacou que a arroba do boi gordo já registra queda nas principais praças de São Paulo, em razão da combinação entre maior oferta e a incerteza gerada pelo possível tarifaço. O efeito, que antes era esperado apenas para o próximo ano, deve se antecipar, atingindo os supermercados já nos próximos dois meses.

Apesar disso, representantes da indústria não esperam um impacto significativo para o consumidor. Ainda segundo o O Globo, Sérgio Capucci, do Sindicato das Indústrias de Carnes de Mato Grosso do Sul, afirma que a produção foi desviada para outros mercados, como Chile, China e países do Oriente Médio, contornando parcialmente os efeitos da medida americana.

Ainda assim, o consumo interno de carne permanece sensível ao preço, como observa o aposentado Maurício Vicente, que diz perceber pequenas quedas, mas ainda considera os cortes vermelhos caros.

No setor cafeeiro, a situação é inversa. A notícia das tarifas impulsionou os preços em Nova York, elevando o valor do grão também no Brasil. A saca, que vinha em queda desde fevereiro, voltou a se valorizar e já passou de R$ 1.600 para mais de R$ 1.800 em menos de um mês.

O Brasil responde por cerca de 30% das exportações globais e é fornecedor essencial para grandes marcas americanas, o que dificulta substituições rápidas por parte dos EUA. Para consumidores como Marcos Augusto, que sentiu o preço do café recuar nos últimos meses, o novo aumento é motivo de apreensão.

As frutas, por sua vez, já apresentam forte recuo nos preços. No Vale do São Francisco, responsável por grande parte das exportações, a manga tommy — comumente enviada aos Estados Unidos — já caiu mais de 30% em menos de duas semanas. O risco é de que os produtores arquem com prejuízos caso não consigam escoar a produção no mercado interno.

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De acordo com o jornal citado, Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas, alerta que se as toneladas previstas para exportação permanecerem no país, o valor por quilo pode cair a níveis inviáveis para o produtor.

A situação é ainda mais delicada para itens perecíveis, como frutas, que não têm alternativas de estocagem ou redirecionamento logístico tão eficientes quanto as commodities. Lucas Bezerra, especialista em fruticultura do Cepea, reforça que o setor pode enfrentar perdas significativas caso o cenário se mantenha. Nas feiras, os reflexos já são visíveis. Um feirante relatou ao O Globo que o preço da caixa de uva caiu de R$ 110 para R$ 40 em um mês, resultado da superoferta gerada pela perda de mercado externo.

Enquanto o governo brasileiro ainda avalia como reagir à ameaça tarifária, produtores, atacadistas e consumidores já sentem os efeitos concretos da instabilidade nas relações comerciais entre os dois países.

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