Santa Catarina se destaca em transplantes e atrai brasileiros do exterior em busca de tratamento

Santa Catarina tem se consolidado como referência nacional em doação de órgãos e transplantes, atraindo pacientes de diversas regiões do Brasil e até do exterior.
Entre os hospitais que se destacam nesse cenário está o Hospital Santa Isabel (HSI), em Blumenau, conhecido pela excelência no atendimento e pela agilidade nos procedimentos.
De acordo com o SC Transplantes, o Hospital Santa Isabel realizou, em 2024, 90 transplantes de fígado, o que corresponde a quase 70% dos procedimentos desse tipo no estado.
Em 2025, a unidade já registra 10 cirurgias hepáticas, reforçando seu papel de liderança no setor. O hospital é associado à Federação dos Hospitais e Entidades Filantrópicas do Estado de Santa Catarina (FHESC) e à Associação de Hospitais do Estado de Santa Catarina (AHESC), que representam 63% da rede hospitalar catarinense.
Segundo Alciomar Marin, diretor executivo da AHESC-FHESC, o trabalho dos hospitais filantrópicos é crucial para a saúde pública do estado.
“Os hospitais filantrópicos têm um papel essencial na saúde pública de Santa Catarina, garantindo acesso a procedimentos de alta complexidade para a população. O esforço das entidades associadas tem sido fundamental para que o estado alcance esses números expressivos em transplantes, consolidando nossa posição de liderança no país”, destaca Marin.
A excelência no atendimento em Santa Catarina tem atraído não apenas pacientes de outras regiões do Brasil, mas também brasileiros que vivem no exterior.
Esse foi o caso de Martin Vollmer, que residia nos Estados Unidos e retornou a Blumenau para realizar um transplante de fígado no Hospital Santa Isabel.

“Nos Estados Unidos, o processo é muito burocrático e demorado. Minha família, que mora em Blumenau, me convenceu a vir para cá, pois o hospital é referência e oferece tratamento pelo SUS. Fiquei impressionado com a eficiência da equipe”, relata Martin, que passou pelo procedimento em dezembro de 2024.
Um dos diferenciais do Hospital Santa Isabel é o acompanhamento contínuo do paciente em todas as fases do transplante. Martin destaca a atenção da equipe médica como fator determinante para sua recuperação.
“Eu sabia que estava sendo acompanhado pelos melhores profissionais. O atendimento foi humanizado e muito ágil”, afirma.
Agora em fase de reabilitação, ele realiza revisões médicas mensais e segue em contato constante com a equipe de especialistas.
O sucesso dos transplantes no Hospital Santa Isabel está diretamente relacionado ao trabalho integrado de uma equipe multidisciplinar.
O médico hepatologista Marcelo Nogara explica que o acompanhamento após a cirurgia é essencial para garantir a saúde do paciente e evitar a rejeição do órgão.
“Após o transplante, é fundamental que o paciente tome corretamente os imunossupressores, que impedem a rejeição do órgão. Além disso, hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos, alimentação equilibrada e a abstenção de bebidas alcoólicas, são indispensáveis. O acompanhamento médico regular com consultas e exames é imprescindível para o sucesso do procedimento”, detalha Nogara.
O protocolo seguido pelo hospital inclui a avaliação detalhada do paciente por diferentes especialistas, como hepatologistas, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas.
Esse cuidado abrangente garante que o paciente esteja preparado para o procedimento e receba suporte contínuo durante toda a vida.
Santa Catarina vem registrando avanços notáveis em doação de órgãos. Em 2022, segundo a Secretaria de Saúde (SES SC), o estado alcançou uma taxa de 42,1% de doações por notificação, superando países que são referência mundial, como a Espanha.
Esse desempenho é reflexo do engajamento dos hospitais filantrópicos, que, como destaca Nogara, têm expertise acumulada ao longo dos anos.
“Hospitais filantrópicos, como o Santa Isabel, conseguem atender um número muito maior de pacientes, o que nos dá um enorme conhecimento na realização de transplantes e na condução dos casos clínicos. Isso contribui diretamente para o fato de o Brasil possuir o maior programa público de transplantes do mundo, superando até os Estados Unidos”, enfatiza o médico.
Atualmente, Santa Catarina possui 236 hospitais, sendo 149 filantrópicos. Destes, 119 estão vinculados à AHESC e 84 à FHESC, reforçando a importância dessas instituições no atendimento de alta complexidade.
“O caso do Hospital Santa Isabel evidencia como as nossas entidades fortalecem o sistema de saúde e permitem que mais pacientes tenham acesso a procedimentos avançados sem custos, por meio do SUS”, conclui Marin.










