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Moradora de Curitiba resiste à energia elétrica

Moradora de Curitiba resiste à energia elétrica

Dona Emília, uma senhora que nunca teve e provavelmente não terá energia elétrica em seu imóvel, na zona rural da Grande Curitiba.

Com quase 70 anos de idade, dona Emília até hoje mora na mesma casa onde nasceu e cresceu, construída quando sua mãe ainda era solteira, quase um século atrás. Ao longo de todos esses anos, o imóvel nunca teve acesso à eletricidade, mesmo depois que os vizinhos e outros imóveis no entorno começaram a usar o serviço.

“Enquanto a minha mãe tava viva, é claro, a gente era pobre, não é como agora. Então a gente era pobre, aí começou a chegar essas energia por aqui, começaram a instalar, e minha mãe disse: ‘Não vamos se interessar por isso porque não é preciso’. E depois, eu não tenho máquina, nada que precise [de energia elétrica], e aí [vou instalar o serviço] só para de noite?”, conta Dona Emília, revelando que uma vez quase ‘se entregou’ à modernidade.

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“Aqui eles até queriam puxar [a rede elétrica], mas não deu certo e depois, outra coisa, agora nem que fosse de graça eu não quero. A casa é muito velha, tudo é muito velho. Como vai ponhar energia numa casa velha? E para mim não precisa. Eu, com energia, não quero nada, nada, nada”, comenta ela, se vangloriando ainda do que ouviu recentemente de um vizinho. “Subiu a energia elétrica, é!? Esses dias uma vizinha falou assim ‘bem que você não tem, porque a conta tá vindo muito grande’”.

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UMA VIDA AUTOSSUSTENTÁVEL

Emília
Foto: Franklin de Freitas

Para Dona Emília, o dia começa antes mesmo do sol nascer. Como praticamente tudo que precisa ela planta ou cria em seu terreno, por volta de 5 horas da manhã já está se levantando para dar início aos afazeres diários, como alimentar os animais já que ela tem criação de galinhas e porcos, cuidar das plantações que mantém ou ainda juntar cavacos e galhos que caem, para usar como lenha, até porque o corte de lenha é proibido na região onde ela mora.

“Viver no sítio é diferente. Hoje no mundo tá acontecendo assim: pouco serviço na cidade. Não é como aqui, porque aqui na colônia é sofrido, tem serviço”, afirma a idosa.

Quando a noite começa a chegar é hora de se recolher para casa. E como não há luz elétrica, o jeito é apelar para velas e lanternas de pilha e fotovoltaicas, que carregam com energia solar.

“A gente usava lampião enquanto tinha querosene bom. Agora desapareceu querosene bom, então vai só lanterna. Tenho vários tipos de lanterna. O fogão é a lenha”, conta Dona Emília. “Para tomar banho é na bacia. A gente esquenta a água no fogão, deixa ficar morna e daí toma banho. Tomar banho na água fria dá doença, ainda mais com corpo cansado, suado. Também não é sempre que toma aquele banho, porque as vezes não dá tempo e, olha, a gente se suja. A gente carrega tudo nas costas, vai para lá e para cá…”.

Descendente de ucranianos e católica, ela ainda tem um rádio de pilha como uma outra opção para se distrair. Uma ferramenta que costuma utilizar, principalmente, para poder escutar uma missa ou algo do tipo.

“Não sou muito de notícia, prefiro não escutar, não ponhar na minha cabeça, porque daí fico muito preocupada. A gente começa a pensar, não tem com quem conversar para distrair… prefiro não escutar. Agora, claro, eu sou católica. Se tem um terço, uma missa, ligamos o rádio, mas é bem pouco, até porque não dá tempo. De noite que escuto mais e se já escuto algo que não tô gostando, eu desligo e pronto”.

Já vacinada contra o corona vírus, Dona Emília comenta ainda que a vida na zona rural dá mais liberdade e segurança do que a vida na cidade, em locais urbanizado. Ela, inclusive, quando precisa vai a pé para o Centro da cidade, outras vezes de ônibus, ou ainda consegue uma carona com algum vizinho.

“Quando a gente chega na cidade, tem que se cuidar mais do que aqui. Aqui eu corro menos risco do que na cidade. Aqui não temos medo. Claro, a gente não facilita, mas também não tem medo”, diz a idosa, que conta ainda estar se cuidando ao máximo por causa do corona vírus. “Já tomei a vacina, uso máscara, álcool… A máscara até usei pouco, porque só fico em casa praticamente e na minha casa ninguém entrou. O pior é na cidade, é todo mundo junto, não tem nem como explicar”.

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