Notícias do Médio Vale do Itajaí

Seis anos depois de matar jovem em Indaial, réu é condenado e surpreendido com o perdão da mãe da vítima

Réu recebeu pena em regime semiaberto e poderá recorrer em liberdade

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Após mais de seis anos de espera, o julgamento pela morte do estudante Felipe Wassosniki dos Passos, de 19 anos, terminou na madrugada desta sexta-feira (27), em Indaial, no Vale do Itajaí, com a condenação do empresário Marco Antônio Pinsegher.

O desfecho, porém, foi marcado por um gesto inesperado da mãe da vítima, que emocionou o plenário e repercutiu em todo o Estado.

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Felipe morreu na noite de 2 de fevereiro de 2019, depois de ser atingido por uma caminhonete enquanto estava com sua bicicleta na Ponte dos Arcos.

A denúncia apontou que o condutor dirigia em alta velocidade e sob efeito de álcool quando colidiu contra duas bicicletas. Com o impacto, o jovem morreu no local. O outro ciclista envolvido, Lucas Pinto, de 32 anos, sobreviveu.

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Segundo os autos, após a colisão o motorista deixou o local sem prestar socorro e se apresentou à polícia dois dias depois. Ele respondeu ao processo em liberdade até a realização do júri.

O julgamento começou na manhã de quinta-feira (26) e se estendeu por mais de 15 horas, sendo concluído por volta das 2h da madrugada.

A sessão foi presidida pela juíza de Direito Dra. Leila Mara da Silva e acompanhada por familiares, amigos e pela imprensa.

Por maioria de votos, o Conselho de Sentença afastou a tese de dolo eventual, quando o réu assume o risco de matar, e desclassificou a conduta para homicídio culposo e lesão corporal culposa, ambos qualificados pela influência de álcool, conforme os artigos 302, § 3º, e 303, § 2º, do Código de Trânsito Brasileiro.

Com a decisão, Marco Antônio Pinsegher foi condenado a 7 anos e 1 mês de reclusão, em regime semiaberto. Além da pena de prisão, teve o direito de dirigir suspenso por quatro meses e foi condenado ao pagamento de indenização no valor de R$ 20 mil às vítimas. Ele poderá recorrer em liberdade.

A promotora de Justiça Dra. Patrícia Castellem Strebe afirmou que, na avaliação do Ministério Público, ficou comprovado que o réu estava embriagado no momento do acidente e que teria assumido o risco de matar.

Ela declarou que o órgão vai analisar a possibilidade de recurso, destacando que, como a condenação ocorreu por crime culposo, a pena ficou abaixo do esperado pela acusação.

Já o advogado de defesa, Dr. Jeremias Felsky, informou que também recorrerá da decisão. Segundo ele, a pena aplicada foi considerada elevada, especialmente em relação às qualificadoras, e a defesa buscará a revisão da dosimetria. Também integram a defesa as advogadas Dra. Ediléia Buzzi e o Dr. André Pereira.

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As famílias das vítimas foram representadas pelas advogadas Dra. Luana Hofman (OAB/SC 44.770) e Dra. Jeisy Kely da Silva (OAB/SC 76.435), que atuaram como assistentes de acusação do Ministério Público.

Mas foi após a leitura da sentença que o momento mais marcante aconteceu. Em meio à forte comoção no plenário, a mãe de Felipe, Dona Maria Aparecida Wassosniki, aproximou-se do homem condenado pela morte do filho. Em vez de revolta, ofereceu um abraço e palavras de paz.

“Eu quero que você fique em paz, não quero que você fique se torturando. Siga seus filhos em paz, seus netos em paz”, disse ela, em um misto de dor e resignação.

A cena comoveu jurados, advogados e familiares presentes no Tribunal do Júri. O gesto rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e passou a ser apontado como um exemplo de compaixão diante da maior das perdas.

Felipe tinha 19 anos e uma vida inteira pela frente quando foi vítima do atropelamento que abalou Indaial em 2019.

Seis anos depois, o julgamento encerra um capítulo judicial aguardado pela família — mas o abraço da mãe transformou o momento em algo que ultrapassou as paredes do tribunal, reacendendo debates sobre justiça, responsabilidade e humanidade.

Confira o momento:

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