Saneamento em colapso: Blumenau tem mais de 2 mil poços de visita desaparecidos, aponta relatório
Documento técnico revela falhas graves e reforça cobranças por transparência e solução imediata

A infraestrutura de esgotamento sanitário de Blumenau enfrenta um dos momentos mais delicados dos últimos anos.
Uma denúncia apresentada pelo vereador Bruno Win (NOVO), nesta quinta-feira (4), revelou um cenário considerado alarmante no sistema de Poços de Visita (PVs), com base em um relatório técnico elaborado pela MPB Engenharia, contratada pela Prefeitura.
O documento aponta falhas severas na implantação, manutenção e fiscalização dessas estruturas essenciais para o funcionamento adequado da rede.
A apuração evidenciou que problemas acumulados ao longo de gestões anteriores contribuíram diretamente para um colapso operacional, afetando o saneamento básico, comprometendo o pavimento das ruas e colocando em risco a segurança sanitária da população.
A pressão popular — marcada por protestos contra o aumento da tarifa, atuação da CPI do Esgoto e um abaixo-assinado — reforçou os questionamentos, culminando na revogação do quinto aditivo do contrato de saneamento em agosto de 2025.
>>>> LEIA TAMBÉM: Vereador Diego Nasato contesta mudanças no esgoto e propõe CPI para investigar saneamento em Blumenau
Principais falhas identificadas
O relatório revelou um quadro ainda mais grave do que o esperado:
Poços de Visita desaparecidos
Um total de 2.171 PVs não foram localizados durante o mapeamento, o que impede inspeções e compromete o monitoramento da rede em diversos bairros.
PVs travados ou lacrados
Cerca de 8% dos poços encontrados estavam emperrados, impossibilitando qualquer procedimento técnico.
Profundidades fora das normas técnicas
Ao todo, 1.235 PVs — 13% do total — possuem profundidade inferior à exigida. Desses, 81% estão em vias de tráfego intenso, situação que provoca deformações no asfalto e eleva o risco de danos às tubulações.
Estruturas danificadas
O levantamento mostra que 26% dos poços analisados apresentam danos estruturais, com risco de infiltração de esgoto no solo e impactos ambientais.
Pavimento deteriorado
Foram contabilizados danos no pavimento em 64% dos pontos analisados, totalizando 7.152 locais com ondulações, buracos e afundamentos perceptíveis diariamente pelos motoristas.
Rede sobrecarregada
Em 76 trechos avaliados, a tubulação não suporta a vazão de esgoto, gerando refluxo, mau cheiro e possibilidade de alagamentos.
Custo dos reparos pode chegar a R$ 50 milhões
O levantamento estima que apenas as correções iniciais dos problemas identificados somam aproximadamente R$ 50 milhões. O valor, porém, não inclui redes executadas com recursos do PAC e da FUNASA — responsabilidade da Prefeitura — que não foram analisadas. Segundo o vereador, “o buraco pode ser ainda maior”.
Impactos diretos na população
Para Bruno Win, os dados ajudam a explicar o desempenho insatisfatório de Blumenau no Índice de Competitividade dos Municípios nas áreas de Saneamento básico e Acesso à saúde.
Ele reforça que os resultados são consequência de anos de falta de fiscalização e gestão inadequada. “Preferiram varrer a sujeira para debaixo do asfalto e agora tentam fazer a população pagar a conta”, afirmou.
Cobrança por respostas e providências imediatas
O vereador continuará pressionando a Prefeitura de Blumenau, o SAMAE e a AGIR para esclarecer:
- Onde estão os 2.171 poços desaparecidos;
- Por que tantos PVs foram instalados fora das normas técnicas;
- E quais medidas serão tomadas para corrigir a sobrecarga da rede.
Como presidente da Frente Parlamentar de Infraestrutura e Saneamento da Câmara, Bruno Win garantiu novos requerimentos, fiscalizações em campo e propostas para que a cidade tenha um plano real de correção.
“Estamos lidando com falhas que colocam em risco a saúde pública, o meio ambiente e o dinheiro do contribuinte. Blumenau precisa de transparência, responsabilidade e gestão séria”, finalizou o vereador.









