Lula e Flávio Bolsonaro autorizam quebra de sigilos após troca de exigências a três dias da eleição
A formalização ocorreu após uma reunião entre integrantes das duas campanhas.
A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em torno da abertura de informações sigilosas avançou nesta quinta-feira (22). Os dois candidatos à Presidência assinaram, por meio de seus representantes, um acordo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que prevê a divulgação pública e simultânea de dados pessoais, de familiares e de empresas relacionadas a eles.
A formalização ocorreu após uma reunião entre integrantes das duas campanhas e representantes da Justiça Eleitoral. Lula assinou a petição digitalmente, enquanto a advogada Maria Claudia Bucchianeri assinou em nome de Flávio, com procuração do senador. O entendimento prevê que os dados sejam publicados em um site de acesso público após serem solicitados aos órgãos e às instituições responsáveis.
Apesar do avanço, ainda há autorizações pendentes para permitir o acesso a informações de terceiros. Os documentos devem ser entregues até as 23h59 desta quinta-feira.
Entre os pontos que provocaram divergências está a inclusão da Alcazar Holding, empresa pertencente ao advogado Willer Thomaz e investigada em um inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal apura se Flávio teria sido sócio de Thomaz no negócio. Segundo a campanha petista, a discussão sobre a empresa atrasou a assinatura.
Com as procurações necessárias em mãos, o ministro André Mendonça, relator do caso, poderá requisitar informações ao Banco Central, à Receita Federal, a instituições financeiras e a operadoras de telefonia. A divulgação deverá ocorrer simultaneamente depois que os dados forem encaminhados.
Exigências ampliaram o confronto entre os candidatos
A proposta de abertura dos sigilos foi apresentada por Lula durante o debate da Band, no domingo (18). Na terça-feira (20), o presidente encaminhou autorizações ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF), oferecendo acesso a informações bancárias, fiscais e telefônicas dos últimos oito anos, desde que Flávio também autorizasse a divulgação de seus dados.
O senador, porém, contestou a iniciativa e argumentou que a análise deveria abranger informações relacionadas a terceiros, e não apenas bens e dados registrados diretamente em nome do presidente.
Em resposta, autorizou a quebra de seus sigilos dos últimos 20 anos e pediu a inclusão de empresas das quais participa como sócio ou administrador. Ele também declarou não se opor à divulgação de mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre as condições apresentadas por Flávio estão o acesso aos sigilos do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, além de documentos sobre as relações do governo com Vorcaro e com a lobista Roberta Luchsinger, investigada no caso relacionado ao INSS.
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O candidato do PL também solicitou informações sobre despesas do cartão corporativo da Presidência desde 2023, a agenda de Janja anterior a fevereiro de 2025 e registros de visitas dos filhos do presidente ao Palácio da Alvorada. Os pedidos incluem ainda dados sobre o uso de helicóptero e gastos do palácio.
Mesmo após a assinatura, o acordo continuou sendo motivo de críticas entre os aliados. Deltan Dallagnol, representante da campanha de Flávio na reunião, questionou a falta de acesso ao material de Lula para análise. Já integrantes da equipe petista criticaram a demora do senador em aceitar a proposta.
O embate ocorre na reta final da campanha presidencial, a três dias do segundo turno, marcado para domingo (25). A divulgação dos sigilos tornou-se um dos principais pontos de confronto entre os dois candidatos antes da votação.







