Trabalhadores em Indaial relatam dois meses sem salário: “Como vou pagar pensão se não recebo?”
Doze trabalhadores vindos do Nordeste afirmam estar há quase dois meses sem receber pelo serviço realizado em uma obra em Indaial, no Vale do Itajaí. Além das dificuldades financeiras, alguns relatam atrasos no aluguel e na pensão alimentícia, enquanto aguardam o pagamento pelos trabalhos executados.
O caso foi relatado pelo empreiteiro Roberto Lino em entrevista à Nova FM, em reportagem de Sadi Duarte gravada em frente ao canteiro de obras. Segundo ele, a equipe foi retirada do local e substituída por outra empreiteira antes de receber o valor combinado pelo serviço.
Empreiteiro cobra pagamento de cerca de R$ 100 mil
De acordo com Roberto, uma nota de aproximadamente R$ 100 mil foi emitida pelo serviço prestado, mas o pagamento ainda não teria sido realizado. O valor, conforme o empreiteiro, seria utilizado para remunerar os 12 funcionários e cobrir outras despesas relacionadas à atividade, como contabilidade, alimentação e aluguel.
Ele afirma que, ao buscar uma solução com representantes da empresa responsável pela obra, recebeu a orientação de procurar a Justiça.
A Polícia Militar chegou a ser acionada para atender à situação. Roberto relata que foi orientado a retirar as ferramentas que permaneciam no canteiro, mas decidiu deixá-las no local após receber de um advogado a orientação de que a retirada poderia ser interpretada como abandono do serviço.
Até a publicação da reportagem do Jornal Razão, o nome da empresa responsável pela obra não havia sido confirmado.
Trabalhadores relatam dívidas e dificuldades para sustentar a família
Entre os funcionários, a preocupação vai além do dinheiro que ainda não receberam. Reginaldo afirma estar com dois meses de aluguel e dois meses de pensão alimentícia atrasados. Sem conseguir quitar os compromissos, ele teme enfrentar consequências judiciais.
“Eu tô esperando já a polícia chegar e perguntar quem é seu Reginaldo e levar pra cadeia”, relatou.
O trabalhador também lamentou a situação enfrentada pelo grupo, destacando que todos têm familiares que dependem de sua renda. Segundo ele, a falta de pagamento compromete as despesas básicas e aumenta a pressão sobre quem precisa sustentar filhos e outros parentes.
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Sebastião, outro trabalhador ouvido na reportagem, afirmou prestar serviços para a mesma empresa há cerca de dois anos. Ele contou que alguns colegas chegaram a ir embora para o Rio de Janeiro e São Paulo sem receber, na expectativa de que o dinheiro seja pago posteriormente.
Outro funcionário relatou que vive em Santa Catarina há 17 anos, enquanto parte de sua família permanece no Nordeste. Ele disse estar enfrentando dificuldades para enviar dinheiro aos familiares e demonstrou preocupação com as obrigações financeiras que continuam vencendo.
Empreiteiro pretende buscar a Justiça
Diante da falta de pagamento, Roberto afirmou que pretende procurar o fórum e um advogado para tentar resolver a situação. Enquanto isso, os trabalhadores seguem aguardando uma solução para receber pelos serviços prestados.
O caso evidencia a situação relatada por profissionais que dependem do pagamento de contratos de trabalho para manter as próprias despesas e ajudar suas famílias. Até o momento, não havia confirmação de uma data para o pagamento do valor cobrado.
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