O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gerou repercussão nesta segunda-feira (28), durante um comício em Belém (PA), ao comentar a resistência de homens em realizar exames relacionados ao câncer de próstata.
Durante o discurso, Lula afirmou que “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas” ao comparar a familiaridade delas com exames ginecológicos à resistência de parte dos homens ao exame de próstata. A declaração passou a circular nas redes sociais nesta terça-feira (29).
Fala ocorreu após visita a hospital
Antes do ato político, Lula visitou o Hospital São João de Deus, em Belém, que integra o complexo hospitalar da Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Pará. Na unidade, o presidente conheceu estruturas destinadas ao atendimento de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante a visita, Lula acompanhou a realização de uma cirurgia robótica de próstata. Segundo o Ministério da Saúde, o hospital recebeu R$ 35,51 milhões em equipamentos e R$ 11,43 milhões para custeio da atenção especializada.
A cirurgia foi apresentada pelo governo como a primeira do tipo realizada pelo SUS na região amazônica. O procedimento ocorreu no Hospital São João de Deus e foi acompanhado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Lula cita resistência aos exames
Ao falar sobre o procedimento durante o comício, Lula criticou o que classificou como resistência masculina aos exames de próstata.
“O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”, afirmou o presidente.
Em seguida, disse que homens que evitam o exame podem acabar precisando passar por procedimentos semelhantes caso desenvolvam a doença.
Lula também mencionou preocupações relacionadas aos possíveis efeitos do tratamento do câncer de próstata, como impotência sexual e incontinência urinária. Ao abordar a cirurgia robótica, afirmou que a tecnologia teria mudado esse cenário.
Repercussão nas redes sociais
A declaração ganhou repercussão nas redes sociais nesta terça-feira (29), principalmente pelo trecho em que Lula afirmou que mulheres “aprendem a tomar toque desde pequenas”. O conteúdo passou a ser compartilhado por perfis ligados à oposição com interpretações de que a fala faria referência a abuso sexual infantil.
Checagens publicadas nesta terça-feira, porém, apontaram que o trecho foi retirado do contexto do discurso. Na ocasião, Lula falava sobre exames de saúde e comparava a resistência masculina ao exame de próstata com a realização de exames ginecológicos por mulheres.
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Flávio Bolsonaro reage à declaração
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) também se manifestou sobre a fala. Em publicação nas redes sociais.
“Eu tenho duas filhas pequenas, uma de 14 e uma de 12 anos. Elas não estão acostumadas a tomar toque desde criança, não. Essa sua fala é preconceituosa, é machista, de quem não entende nada, só fala de quem não tem caráter”, afirmou Flávio.
Flávio classificou a declaração de Lula como “preconceituosa” e “machista” e afirmou que crianças devem ser protegidas. A manifestação ocorreu em meio à repercussão do episódio durante a campanha eleitoral.
A campanha de Flávio também produziu material relacionando a declaração de Lula ao tema do abuso sexual de menores. Já a campanha do presidente afirmou que a fala se referia a exames médicos de rotina realizados por mulheres e acusou os adversários de distorcerem o contexto da declaração.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também entrou na discussão e criticou a interpretação feita por integrantes da campanha adversária. Segundo ele, a fala de Lula estava relacionada à prevenção e aos exames de saúde.
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