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Governo Lula pode terminar mandato com rombo de R$ 428 bilhões nas contas públicas

Dívida bruta também deve avançar e chegar a cerca de 82,5% do PIB ao final de 2026, segundo projeção da Instituição Fiscal Independente

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode encerrar 2026 com um déficit primário acumulado de aproximadamente R$ 428,4 bilhões no Governo Central ao longo do atual mandato, considerando os resultados registrados entre 2023 e 2025 e a projeção da Instituição Fiscal Independente (IFI) para 2026.

O cálculo considera o resultado primário do Governo Central, que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. O resultado primário compara receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida.

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Segundo a IFI, o Governo Central registrou déficit primário de aproximadamente R$ 264,5 bilhões em 2023. Em 2024, o resultado negativo ficou em R$ 45,4 bilhões, enquanto 2025 terminou com déficit de aproximadamente R$ 58,2 bilhões, considerando o resultado abaixo da linha utilizado pela IFI. (Senado Federal)

Para 2026, a IFI mantém a projeção de déficit primário de R$ 60,3 bilhões. Somados os quatro anos, os resultados chegam a aproximadamente R$ 428,4 bilhões negativos. Trata-se de uma projeção para o resultado de 2026, que ainda pode sofrer alterações até o encerramento do ano.

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Dívida também aumenta

Outro indicador acompanhado pela IFI e pelo Banco Central é a evolução da dívida pública.

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) correspondia a aproximadamente 71,7% do PIB em dezembro de 2022, antes do início do atual mandato.

No cenário da IFI, a dívida bruta deverá alcançar 82,5% do PIB ao final de 2026. Isso representa uma alta de aproximadamente 10,8 pontos percentuais do PIB em relação ao nível registrado no fim de 2022.

Os dados mais recentes disponíveis do Banco Central mostram que a dívida já havia atingido 82,5% do PIB em julho de 2026, equivalente a aproximadamente R$ 10,9 trilhões. O indicador avançou 0,6 ponto percentual em relação ao mês anterior.

Segundo o Banco Central, a alta da dívida em julho foi influenciada principalmente pelos juros nominais apropriados, pelas emissões líquidas de dívida e pelos efeitos da variação do PIB nominal.

E os juros?

Quando os juros da dívida são incluídos, o resultado negativo das contas públicas fica significativamente maior.

A IFI projeta para 2026 um resultado nominal negativo equivalente a 9% do PIB. Esse indicador inclui o resultado primário e os juros nominais pagos pelo setor público. A instituição estima juros nominais líquidos de 8,6% do PIB para o ano.

Nos 12 meses encerrados em julho de 2026, os juros nominais do setor público consolidado chegaram a R$ 1,1505 trilhão, equivalente a 8,67% do PIB, segundo o Banco Central.

No mesmo período, o déficit nominal acumulado alcançou R$ 1,2398 trilhão, correspondente a 9,34% do PIB.

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Mercado projeta dívida ainda maior

Além da projeção da IFI, o mercado também trabalha com uma dívida bruta elevada para o encerramento de 2026.

De acordo com o Prisma Fiscal de setembro, divulgado pelo Ministério da Fazenda, a mediana das projeções do mercado para a Dívida Bruta do Governo Geral passou de 83% para 83,2% do PIB entre agosto e setembro.

Na mesma pesquisa, a projeção mediana para o déficit primário do Governo Central em 2026 caiu de R$ 59,145 bilhões para R$ 52,271 bilhões.

E o resultado de 2026 já realizado?

Os números ainda estão sujeitos a mudanças porque o ano não terminou.

Até agosto de 2026, o Governo Central acumulava déficit primário de R$ 94,9 bilhões, segundo o Resultado do Tesouro Nacional divulgado em 29 de setembro. O valor considera os resultados registrados entre janeiro e agosto.

Somente em agosto, o déficit primário do Governo Central foi de R$ 13,6 bilhões.

O que os números significam?

Os dados mostram que as contas públicas seguem pressionadas, com déficit primário acumulado nos primeiros anos do atual mandato, dívida bruta em patamar elevado e uma conta significativa de juros.

É importante destacar que os R$ 428,4 bilhões não representam diretamente o aumento da dívida pública. O valor corresponde à soma dos resultados primários negativos considerados pela IFI para o Governo Central entre 2023 e 2026.

A dívida pública, por sua vez, também é influenciada pelos juros, crescimento do PIB, emissões líquidas de títulos, câmbio e outros fatores.

Além disso, o valor de R$ 428,4 bilhões é uma estimativa, já que o resultado de 2026 ainda não está fechado.

A projeção mais recente da IFI aponta para uma dívida bruta de 82,5% do PIB ao final de 2026, enquanto o mercado, segundo o Prisma Fiscal de setembro, trabalha com uma mediana de 83,2% do PIB.

O Misturebas News consultou e verificou os dados nas seguintes fontes oficiais: Senado Federal, Ministério da Fazenda e Banco Central do Brasil.

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