MPSC pede condenação de ex-delegado-geral da Polícia Civil por suposta promoção pessoal no caso Cão Orelha
Atualmente ele é candidato a deputado estadual pelo PL.
A forma como a investigação do caso Cão Orelha foi divulgada nas redes sociais virou alvo de uma ação de improbidade administrativa em Santa Catarina. O Ministério Público Estadual pediu a condenação do ex-delegado-geral da Polícia Civil Ulisses Gabriel, que atualmente é candidato a deputado estadual pelo PL.
Entre as medidas solicitadas pelo MP-SC estão uma indenização de R$ 200 mil por dano moral coletivo e uma multa que pode chegar a 24 vezes a remuneração do ex-delegado-geral. O valor atribuído à causa é de aproximadamente R$ 795 mil. A promotoria também pede que Ulisses seja impedido de contratar com o poder público durante quatro anos.
A investigação sobre a divulgação do caso aponta que o então chefe da Polícia Civil teria utilizado a repercussão da ocorrência para ampliar sua exposição pessoal. Segundo o Ministério Público, enquanto os canais oficiais da instituição fizeram sete publicações relacionadas ao caso, Ulisses teria realizado mais de 40 postagens em seus próprios perfis.
O MP afirma ainda que, durante o período de maior repercussão, o perfil do ex-delegado-geral teria conquistado aproximadamente 75 mil seguidores. Posteriormente, ele passou a se apresentar como pré-candidato, circunstância que, para a promotoria, deve ser considerada na análise da possível promoção pessoal.
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Também são citadas na ação expressões utilizadas nas publicações, entre elas “aqui em SC o bambu ronca”, “linha dura contra o crime”, “#delegadoulisses” e “pau que bate em Chico, bate em Francisco”. Na avaliação do órgão, o conteúdo teria deixado de ter apenas finalidade institucional e contribuído para projetar a imagem individual de Ulisses.
A defesa argumentou que não houve intenção de cometer irregularidade e que uma candidatura posterior não teria relação com os fatos analisados. O Ministério Público, porém, rejeitou esses argumentos em réplica e apontou que Ulisses já utilizava sua exposição pública para defender pautas relacionadas à segurança, incluindo a redução da maioridade penal e o endurecimento das medidas contra a criminalidade.
O processo tramita na Justiça e ainda não há condenação definitiva. Os pedidos apresentados pelo Ministério Público serão analisados pelo Judiciário.







