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“Big Brother” nas rodovias: câmeras com IA passam a flagrar o que motoristas fazem dentro dos veículos

A nova tecnologia já ajudou a identificar mais de 16 mil infrações.

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O comportamento de motoristas e passageiros nas rodovias de São Paulo passou a ser observado de uma forma que vai além dos tradicionais radares de velocidade. Equipamentos dotados de Inteligência Artificial conseguem analisar imagens do interior dos veículos e apontar situações como condutor usando celular ou ocupante viajando sem cinto de segurança.

A nova tecnologia já ajudou a identificar mais de 16 mil infrações em trechos rodoviários paulistas. As câmeras funcionam de maneira contínua e foram instaladas em vias administradas por concessionárias, entre elas a SP-340 e a SP-342, operadas pela Renovias.

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O sistema trabalha em alta velocidade para examinar as imagens captadas pelas câmeras. Dependendo do equipamento utilizado, os registros são feitos em Full HD ou 4K, com recursos de infravermelho que permitem o funcionamento também no período noturno.

Na prática, a Inteligência Artificial procura situações que fogem dos padrões considerados seguros. Se encontrar, por exemplo, um motorista segurando um telefone ou alguém sem o cinto, o sistema separa aquela imagem e encaminha o registro para uma etapa posterior de fiscalização.

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É justamente nessa segunda fase que ocorre a confirmação da infração. Um agente do Policiamento Rodoviário da Polícia Militar analisa a imagem e verifica se realmente houve uma irregularidade. Portanto, a IA não é responsável sozinha pela aplicação da multa.

O cinto de segurança aparece entre os principais motivos de autuação. A fiscalização consegue verificar a utilização do equipamento tanto pelo motorista quanto pelos passageiros. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, circular sem cinto configura infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH.

O celular também está entre os comportamentos monitorados. Dirigir utilizando o aparelho é considerado uma infração gravíssima e pode resultar em multa de R$ 293,47 e sete pontos na habilitação.

A tecnologia não se limita a essas duas situações. As câmeras podem detectar ainda crianças sendo transportadas sem o dispositivo de retenção exigido pela legislação e objetos colocados no veículo de forma que prejudiquem a visibilidade de quem está dirigindo.

A ampliação desse tipo de fiscalização também começa a produzir um efeito curioso: depois que os motoristas passaram a conhecer a capacidade das câmeras, houve redução na quantidade de infrações identificadas nos locais monitorados.

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A queda pode indicar uma mudança de comportamento provocada pela própria fiscalização. Ao saber que atitudes dentro do carro podem ser registradas mesmo quando não há um agente observando diretamente o veículo, os condutores tendem a ficar mais atentos às regras de segurança.

E o impacto do cinto vai além da multa. Dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego apontam que o equipamento pode reduzir em até 45% o risco de morte para ocupantes dos bancos dianteiros em acidentes. Nos bancos traseiros, a redução pode chegar a 75%.

A fiscalização tecnológica deve ganhar novos pontos em São Paulo. O Rodoanel e a Rodovia Raposo Tavares estão entre as vias que aparecem na expansão prevista para os sistemas de monitoramento com Inteligência Artificial.

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