Sem conseguir andar após grave acidente, jovem de Blumenau luta por acesso a tratamento com polilaminina
Um acidente de motocicleta mudou completamente a rotina de Adrian Pereira, morador de Blumenau. Desde o dia 21 de junho, quando sofreu o acidente, o jovem enfrenta as consequências de uma grave lesão na medula espinhal que comprometeu seus movimentos e o deixou sem conseguir caminhar.
Agora, a família corre contra o tempo para tentar conseguir acesso à polilaminina, um tratamento experimental que vem sendo estudado para casos de lesão medular. Segundo os familiares, Adrian tem até o dia 22 de setembro, período considerado decisivo diante da transição da fase aguda para a crônica da lesão.
Mais de dois meses depois, a recuperação ainda é marcada por uma rotina de cuidados intensivos. Além da perda dos movimentos das pernas, Adrian passou a enfrentar dificuldades relacionadas ao funcionamento da bexiga e do sistema digestivo.
Segundo a família, os médicos que acompanham o caso não apresentam, até o momento, uma perspectiva de recuperação dos movimentos. Diante desse cenário, os familiares passaram a buscar alternativas que pudessem contribuir para a evolução do quadro.
Durante as pesquisas, a família conheceu a polilaminina, substância que vem sendo estudada no Brasil como uma possível alternativa terapêutica para pessoas com lesões na medula espinhal.
A irmã de Adrian, Aline, passou a buscar informações diretamente com pesquisadores e profissionais da área para verificar se o jovem poderia se enquadrar nos critérios necessários para receber o tratamento em caráter experimental.
Após conversar com médicos e receber avaliações favoráveis sobre a possibilidade, a família recorreu à Justiça para tentar viabilizar o acesso à terapia. No entanto, segundo Aline, os pedidos foram negados em duas oportunidades.
A última negativa teria ocorrido após uma análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que apontou que Adrian não atende a um dos critérios atualmente estabelecidos para esse tipo de acesso.
A principal preocupação dos familiares é o período considerado mais importante após uma lesão medular.
Segundo Aline, pesquisas relacionadas à polilaminina apontam que os melhores resultados podem estar associados à aplicação em uma fase inicial da lesão. Por isso, a família entende que o momento atual é decisivo para tentar conseguir uma avaliação individualizada do caso.
“Não estamos buscando uma promessa de cura”, resume a família, que afirma querer apenas uma oportunidade para que Adrian possa tentar o tratamento e, eventualmente, melhorar sua qualidade de vida.
Aline também relata que teria entrado em contato com a pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ligada aos estudos sobre a substância.
A situação também chegou ao conhecimento do vereador Flávio Linhares (PL), que passou a auxiliar na divulgação do caso e a fazer reivindicações relacionadas ao acesso ao tratamento.
O parlamentar comparou a situação de Adrian à de outros pacientes que também buscam autorização para utilizar a polilaminina e defendeu uma revisão das regras para casos considerados individualmente.
Para a família, o objetivo é que o caso seja analisado pelas autoridades responsáveis e que Adrian tenha a possibilidade de receber o tratamento, caso seja considerado apto pelos profissionais envolvidos.
Enquanto busca uma alternativa para o tratamento, Adrian depende de cuidados constantes da mãe e de outros familiares.
A mãe precisou deixar o trabalho para acompanhar o filho em tempo integral. A rotina inclui auxílio durante o dia e também durante a noite, especialmente devido às limitações de sensibilidade e às alterações no funcionamento do intestino e da bexiga.
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Antes do acidente, Adrian levava uma vida ativa. Trabalhava em uma empresa de materiais de construção, onde cuidava do estoque, e tinha o futebol como uma das atividades que praticava regularmente.
Agora, a família concentra esforços na recuperação e na tentativa de conseguir acesso à terapia experimental.
Diante de todas as mudanças provocadas pelo acidente, Adrian afirma que não busca garantias, mas a possibilidade de tentar.
Para ele, a polilaminina representa uma esperança diante de um cenário em que as alternativas apresentadas até agora não apontam para a recuperação dos movimentos.
A família criou ainda um perfil nas redes sociais para divulgar a história e buscar apoio na tentativa de viabilizar o tratamento.
A luta, agora, é contra o tempo e pela possibilidade de que o caso seja analisado de forma individualizada pelas autoridades e profissionais responsáveis.







