Ex-estagiária é condenada após vazar operação para facção e fazer 90% dos alvos escaparem em SC
A operação havia mobilizado mais de 400 agentes para cumprir 69 mandados.
Uma operação policial de grande porte acabou comprometida antes mesmo de ser iniciada após informações protegidas por sigilo judicial chegarem às mãos de integrantes de uma facção criminosa. O caso resultou na condenação de uma ex-estagiária do Fórum de Justiça de Florianópolis a 6 anos e 8 meses de prisão, em regime inicial fechado.
A investigação revelou que a jovem, que cursava Direito na época, utilizou o acesso ao sistema do Tribunal de Justiça de Santa Catarina para consultar um processo que estava sob sigilo.
As pesquisas foram feitas de sua própria residência e ocorreram pouco antes da deflagração da Operação Tio Patinhas II, realizada em 24 de junho. Entre os dados obtidos estavam informações sobre os investigados e os endereços onde as equipes policiais cumpririam mandados.
A movimentação chamou atenção pelo volume de consultas. Em apenas um domingo, a então estagiária acessou o sistema 25 vezes para buscar informações relacionadas ao processo.
De acordo com a apuração, posteriormente ela entregou o conteúdo ao companheiro, que mantinha ligação com a organização criminosa. Os documentos acabaram circulando entre outras lideranças da facção.
Quando os policiais chegaram aos endereços investigados, encontraram um cenário bem diferente do esperado. Cerca de 90% dos alvos não foram localizados.
A operação havia mobilizado mais de 400 agentes para cumprir 69 mandados de busca relacionados a aproximadamente 40 suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.
O vazamento foi descoberto durante uma investigação que reuniu a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a 39ª Promotoria de Justiça da Capital e o setor de inteligência do Tribunal de Justiça. A apuração identificou a participação de outras pessoas no esquema.
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O companheiro da ex-estagiária e outro integrante apontado como liderança da facção foram condenados a 10 anos e 10 meses de prisão cada. Já uma quarta envolvida, que teria auxiliado na distribuição dos documentos sigilosos, recebeu pena de 5 anos e 10 meses.
O MPSC, responsável pela ação que levou às condenações, avalia que as penas não refletem a dimensão dos prejuízos provocados pelo vazamento. Por isso, o órgão pretende recorrer das decisões para buscar punições maiores e também quer que os condenados sejam responsabilizados financeiramente pelos danos causados à segurança pública.
A identidade da ex-estagiária não foi divulgada pelas autoridades. Até a última atualização, a defesa dela também não havia sido localizada.







