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Juiz que atuou na Lava Jato perde cargo após investigação por furto de champanhe em supermercado de Blumenau

Depois do julgamento, o juiz afirmou considerar a punição exagerada.

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O juiz federal Eduardo Appio perdeu o cargo após decisão da Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), tomada na última quinta-feira (27). A punição está relacionada a um processo disciplinar aberto depois que o magistrado foi investigado por furtar garrafas de champanhe de um supermercado em Blumenau, em Santa Catarina.

Além da perda do cargo, os desembargadores determinaram a disponibilidade do juiz sem pagamento de salário. A decisão, no entanto, ainda será encaminhada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que deverá reavaliar a medida conforme as regras aplicáveis aos processos disciplinares contra magistrados.

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O caso começou após imagens de câmeras de segurança do estabelecimento registrarem Appio na área de bebidas. Conforme a investigação, ele teria colocado garrafas de Moët & Chandon, avaliadas em cerca de R$ 400 cada, dentro de uma sacola. Em uma das ocasiões, funcionários do supermercado o abordaram antes que ele deixasse o local e encontraram a bebida.

A apuração também apontou outros dois episódios. Em 20 de setembro de 2025, o juiz teria deixado o estabelecimento com uma garrafa sem pagar. Já em 4 de outubro, segundo os registros analisados, ele teria colocado outra garrafa em uma sacola e passado pelo caixa pagando somente por um produto diferente.

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As ocorrências foram comunicadas à Polícia Civil de Santa Catarina e acabaram dando origem também a medidas administrativas no TRF-4. Em dezembro, a Corregedoria do tribunal pediu o afastamento do magistrado. A Corte Especial confirmou a decisão e determinou a abertura do processo disciplinar. Appio estava afastado das funções havia aproximadamente oito meses e continuava recebendo os subsídios do cargo, sem as verbas adicionais.

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Depois do julgamento, o juiz afirmou considerar a punição exagerada. Appio destacou seus 32 anos de atuação no serviço público e disse não ter histórico de licença durante esse período. Para ele, a decisão foi injusta e desproporcional. O magistrado também afirmou que mantém sua confiança nas instituições.

Appio ganhou notoriedade nacional em 2023, quando assumiu a 13ª Vara Federal de Curitiba, unidade que concentrava processos relacionados à Operação Lava Jato e que anteriormente havia sido comandada por Sergio Moro. Durante sua passagem pelo posto, tomou decisões e fez questionamentos sobre a condução de processos ligados à operação. Posteriormente, foi afastado desses casos e transferido para outra unidade da Justiça Federal.

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