Sem aluguel, sem contas e sem endereço: caminhoneiro vive na cabine há quase duas décadas
A escolha surgiu depois de anos trabalhando no transporte de cargas.
Antes mesmo de ligar o motor para mais uma viagem, o caminhoneiro Valcir Baggio, conhecido como Vaideque, já está em casa. Há 18 anos, a cabine de um Scania é o único endereço fixo do motorista, que transformou o veículo em lar e afirma não ter vontade de voltar a morar em uma residência convencional. Natural de São Lourenço do Oeste, em Santa Catarina, ele vive atualmente em Marmeleiro, no Paraná, e fez da estrada seu modo de vida.
A escolha surgiu depois de anos trabalhando no transporte de cargas. Sem uma casa para manter, Vaideque reduziu despesas e adaptou a cabine para atender às necessidades do dia a dia. Quando está fora dos fretes, estaciona o caminhão no sítio de um amigo, onde toma banho, prepara as refeições e resolve outras tarefas da rotina. Nem mesmo nas visitas à família ele abandona esse hábito, preferindo dormir no caminhão, mesmo tendo um quarto disponível na casa da mãe, em Florianópolis.
A história também retrata a realidade de milhares de caminhoneiros que passam grande parte do tempo nas rodovias. Para muitos, o caminhão deixa de ser apenas um instrumento de trabalho e passa a funcionar como quarto, cozinha e espaço de descanso durante as viagens.
Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, divulgado em dezembro de 2025, esses profissionais trabalham, em média, 14 horas por dia e ficam cerca de 16 dias por mês longe de casa. Apesar da renda líquida média próxima de R$ 14 mil, a entidade aponta que o retorno por hora gira em torno de R$ 40, valor considerado baixo diante dos altos custos da profissão.
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Nos últimos meses, porém, a casa sobre rodas de Vaideque também se tornou motivo de preocupação. O Scania que o acompanha há anos perdeu espaço no mercado de fretes, que passou a exigir caminhões mais novos e com maior capacidade de carga. Para continuar trabalhando, ele estuda financiar aproximadamente R$ 250 mil para comprar outro veículo.
A mudança pode garantir novas oportunidades, mas também representa um compromisso financeiro que contrasta com a vida simples que escolheu levar nas estradas.







