Radares com inteligência artificial começam a multar motoristas e SP terá 120 equipamentos até 2027
Uma nova geração de radares começou a transformar a fiscalização de trânsito no Brasil.
Equipamentos equipados com Inteligência Artificial (IA), capazes de identificar infrações que vão muito além do excesso de velocidade, já estão aplicando multas em São Paulo e devem ganhar uma expansão significativa nos próximos anos.
Após um período de testes realizado nos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mario Covas, administrados pela concessionária SPMar, os radares inteligentes passaram a multar oficialmente desde o dia 1º de julho.
Os equipamentos monitoram os 105 quilômetros sob responsabilidade da concessionária e analisam o comportamento de motoristas e passageiros dentro dos veículos.
Durante apenas 49 dias de testes, entre 12 de maio e 29 de junho, um único radar equipado com Inteligência Artificial identificou 7.297 veículos cometendo algum tipo de infração.
O número representa uma média de 148,9 registros por dia, considerando um fluxo aproximado de 165 mil veículos diariamente no trecho monitorado.
Do total de infrações identificadas durante o período de avaliação, 3.335 casos (45,7%) envolviam motoristas dirigindo sem o cinto de segurança.
Outros 1.956 registros (26,8%) eram de passageiros sem o equipamento obrigatório, enquanto 1.369 ocorrências (18,8%) envolviam condutores utilizando o celular enquanto dirigiam.
Com os resultados obtidos, a SPMar definiu um plano de ampliação da tecnologia. A previsão é que 82 radares inteligentes estejam instalados até o final deste ano.
Já até o fim de 2027, o número deve chegar a 120 equipamentos espalhados pelos trechos administrados pela concessionária.
Como funcionam os radares inteligentes
Os novos equipamentos utilizam câmeras de alta tecnologia, com imagens em alta definição e sistema de infravermelho, permitindo uma análise mais detalhada do interior dos veículos.
A Inteligência Artificial foi treinada para reconhecer padrões de comportamento considerados infrações de trânsito.
Entre as situações identificadas estão a falta do uso do cinto de segurança por motoristas e passageiros e o uso de celular ao volante.

A tecnologia também pode ser configurada para detectar outras irregularidades, como motoristas ou passageiros colocando braços ou outras partes do corpo para fora do veículo e o transporte inadequado de crianças.
Apesar do nome, o sistema não aplica multas sozinho.
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O radar realiza o registro da possível infração, mas as imagens são encaminhadas aos agentes responsáveis pela fiscalização, que analisam cada caso antes da emissão da notificação.
Segundo a concessionária, quando a imagem não é suficientemente clara para comprovar a irregularidade, o registro é descartado.
Um exemplo citado é quando a Inteligência Artificial identifica uma pessoa aparentemente sem cinto, mas a roupa ou as condições da imagem impedem uma confirmação precisa.
Testes mostram alto número de flagrantes em rodovias
A tecnologia vem sendo testada em diferentes pontos do país e os resultados têm chamado atenção pelo volume de infrações identificadas.

Em um trecho da Rodovia Anhanguera, no interior de São Paulo, um equipamento equipado com IA registrou cerca de 20 mil infrações entre julho e novembro do ano passado.
Outro radar com tecnologia semelhante, instalado na Rodovia Mogi-Campinas, identificou mais de 7,5 mil irregularidades no mesmo período.
A expansão também ocorre em outras rodovias paulistas. A concessionária responsável pela Rodovia Raposo Tavares instalou câmeras inteligentes em dois pontos do trajeto e registrou mais de mil infrações em apenas três dias.
Após os resultados, novos equipamentos foram previstos para outros trechos, incluindo a Rodovia Castelo Branco.
No sistema Anchieta-Imigrantes, que liga a capital paulista ao litoral, radares inteligentes também já estão em operação para fiscalizar o uso do cinto de segurança, celular ao volante e excesso de velocidade.
Em Minas Gerais, a tecnologia também começou a ser utilizada em rodovias como a BR-365, entre Uberlândia e Patrocínio, além de outros trechos do Sul do estado.
Concessionárias defendem tecnologia para reduzir acidentes
As empresas responsáveis pelas rodovias afirmam que o objetivo principal dos radares inteligentes é aumentar a segurança e reduzir comportamentos de risco no trânsito.
A concessionária SPMar destaca que a tecnologia permite identificar rapidamente situações que podem causar acidentes e ajudar na conscientização dos motoristas.
Um dos principais focos é combater a distração ao volante, especialmente causada pelo uso do celular. Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), grande parte dos acidentes de trânsito envolve algum fator de distração do condutor.

Além da fiscalização, a expectativa é que a presença dos equipamentos faça com que motoristas adotem uma postura mais segura, principalmente em relação ao uso do cinto e à atenção durante a condução.
Radares inteligentes também chegam às cidades
Além das rodovias, grandes centros urbanos já utilizam sistemas semelhantes para fiscalizar diferentes tipos de infrações.
Na cidade de São Paulo, por exemplo, equipamentos inteligentes monitoram situações como circulação irregular em faixas exclusivas de ônibus, uso do celular ao volante e falta do cinto de segurança.
Outra tecnologia que vem sendo estudada é a fiscalização por velocidade média. Nesse modelo, o motorista é monitorado entre dois pontos diferentes da via. Caso o tempo de deslocamento indique que ele manteve velocidade acima do permitido, o sistema identifica a possível infração.
Essa modalidade, porém, ainda depende de regulamentações específicas para aplicação de multas no Brasil.
Com a evolução da Inteligência Artificial e os resultados dos testes realizados, a tendência é que os radares inteligentes estejam cada vez mais presentes nas estradas e cidades brasileiras, ampliando o monitoramento e mudando a forma como o trânsito é fiscalizado.







