Pacífico atinge condições históricas de Super El Niño e fenômeno pode ser um dos mais intensos dos últimos 150 anos
O Oceano Pacífico Equatorial já apresenta condições classificadas como de Super El Niño, um marco considerado histórico por meteorologistas e que reforça a possibilidade de o planeta enfrentar um dos episódios mais intensos do fenômeno em pelo menos 150 anos.
A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 13 de Julho, pela MetSul Meteorologia, com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Segundo a análise, o tradicional Índice Oceânico Niño (ONI) atingiu anomalia de +2,0°C na região Niño 3.4, localizada no Pacífico Equatorial Centro-Leste. Esse é o valor mínimo utilizado internacionalmente para classificar um El Niño de intensidade muito forte, conhecido informalmente como Super El Niño.
O que mais chama a atenção dos especialistas, porém, não é apenas a intensidade do aquecimento, mas o fato de esse patamar ter sido alcançado muito antes do esperado.
Marca histórica sem precedentes
Nos grandes eventos registrados nas últimas décadas, como os de 1982-1983, 1997-1998, 2015-2016 e 2023-2024, o nível de Super El Niño só foi alcançado entre setembro e novembro.
Neste ano, entretanto, a marca foi atingida ainda em julho, cerca de quatro meses antes do observado nos episódios anteriores.
De acordo com informações da MetSul, nos registros modernos do índice ONI nunca havia sido observado um Super El Niño se estabelecendo tão cedo, o que reforça a preocupação de que o fenômeno possa evoluir para uma intensidade excepcional.

NOAA utiliza novo índice de monitoramento
A NOAA passou a utilizar em 2026 um novo indicador chamado Índice Oceânico Niño Relativo (rONI).
Diferentemente do índice tradicional, o rONI procura descontar o efeito do aquecimento global sobre a temperatura dos oceanos, comparando o aquecimento do Pacífico Equatorial com o restante das áreas tropicais.
Por esse novo índice, a anomalia atual é de +1,3°C, ainda abaixo do patamar de Super El Niño, mas suficiente para que a agência norte-americana estime 81% de probabilidade de o fenômeno atingir oficialmente essa categoria nos próximos meses.
Modelos indicam fortalecimento
A MetSul destaca que nove dos dez principais modelos climáticos sazonais do mundo apontam para um fortalecimento contínuo do El Niño durante o segundo semestre.
Caso essas projeções se confirmem, o episódio poderá superar a intensidade dos históricos eventos de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016, passando a figurar entre os maiores já registrados desde o início das medições modernas.
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Possíveis impactos
O El Niño altera os padrões de circulação da atmosfera e influencia o clima em diversas partes do planeta.
No Brasil, especialmente na Região Sul, episódios fortes costumam favorecer períodos de chuva acima da média, aumento da frequência de temporais, enchentes e deslizamentos de terra, embora os impactos variem conforme a época do ano e a atuação de outros sistemas meteorológicos.
Meteorologistas ressaltam que ainda é cedo para definir com precisão quais serão os efeitos em cada região, mas o comportamento excepcional do Pacífico exige monitoramento constante nos próximos meses.
Se as projeções atuais forem confirmadas, o evento de 2026/2027 poderá entrar para a história como um dos mais intensos já observados desde o início dos registros climáticos modernos.







