“Treinamos em escolas e enfrentamos o Corinthians”: Ceci revela bastidores do T-Rex Handball feminino de Timbó

Treinando em escolas públicas, arrecadando dinheiro com pedágios e enfrentando equipes com estrutura profissional, um grupo de meninas de Timbó conseguiu fazer história no cenário nacional.
O T-Rex Handball conquistou o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de Clubes Mirim Sub-13 e colocou Santa Catarina, pela primeira vez, no pódio da competição.
A trajetória da equipe foi contada no podcast Mistukenti pela presidente, treinadora e atleta do projeto, Ceci Heidrich Duarte, que relembrou os desafios, bastidores e o crescimento acelerado do handebol feminino timboense nos últimos anos.

Segundo Ceci, o projeto começou a ganhar força em 2023, quando atletas de diferentes polos de iniciação esportiva foram reunidas para formar uma equipe competitiva.
“Na época, a gente foi para a Liga Santa Catarina praticamente para conhecer a competição. Não tinha verba, os pais ajudaram colocando as meninas nos carros, e acabamos campeãs da Extra Liga, que seria uma segunda divisão. Ali vimos que dava para sonhar mais alto”, contou.
Desde então, o crescimento foi constante. Em 2024, a equipe ficou entre as melhores do Estado e, logo depois, conquistou de forma invicta o título estadual da Liga Santa Catarina Mirim.
A campanha garantiu vaga para a Copa Sul do Brasileiro, competição envolvendo equipes do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
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Mesmo sem experiência em torneios nacionais, o T-Rex surpreendeu novamente.
“A gente chegou sem conhecer ninguém. Nem sabíamos que a equipe que enfrentamos na final era a atual campeã da Copa Sul. Fomos lá e conquistamos o título invictas”, relembrou Ceci.

A conquista levou Timbó ao Campeonato Brasileiro de Clubes, disputado em São Paulo. Lá, as meninas enfrentaram equipes tradicionais e gigantes do esporte nacional, como Corinthians, CSA e clubes estruturados de vários estados brasileiros.
Mas o contraste estrutural chamou atenção.
“Outras equipes perguntavam como era nosso clube. Elas imaginavam que tínhamos sede, piscina, ginásio próprio. Quando falávamos que treinávamos em escolas públicas, elas ficavam impressionadas”, disse.
Enquanto muitos adversários possuíam estrutura profissional, fisioterapia, alojamentos próprios e centros esportivos completos, o T-Rex Handball treinava em quadras escolares adaptadas e dependia de apoio da comunidade para viajar.
Mesmo assim, o desempenho foi histórico.
“Foi a primeira vez que uma equipe mirim de Santa Catarina subiu ao pódio de um Brasileiro da categoria. Então, além da medalha, a gente entrou para a história do handebol catarinense”, destacou.

Trabalho começou do zero e hoje atende até 200 crianças
O projeto do T-Rex Handball nasceu oficialmente em 2019 e vem crescendo ano após ano.
Hoje, a associação atende entre 150 e 200 crianças e adolescentes em polos gratuitos espalhados por Timbó, incluindo bairros como Nações, Tiroleses e escolas parceiras como Júlio Scheidemantel e Emir Ropelato.
As atividades começam na categoria mini, para crianças entre 7 e 9 anos, em um formato mais lúdico e recreativo, e seguem até categorias competitivas como sub-12, sub-14, sub-16, sub-18, adulto e master.
Além da presidência da associação, Ceci também atua nos bastidores organizando campeonatos, viagens, inscrições, logística e parte administrativa do projeto.
“Às vezes o pessoal vê só o jogo, a medalha, mas existe muita coisa por trás. Organização, viagens, alimentação, uniforme, inscrição, transporte. É um trabalho enorme”, afirmou.
Disciplina e estratégia marcaram o Brasileiro
Durante a conversa no Mistukenti, Ceci revelou que um dos maiores desafios da competição nacional não foi apenas técnico, mas também emocional e disciplinar.
Segundo ela, o grupo precisou aprender rapidamente a lidar com pressão, foco e responsabilidade durante uma semana inteira longe de casa.
“Tinha piscina, lojinha, outras equipes, parque, tudo para distrair. Em um momento tivemos que recolher celular, deixar elas mais concentradas e reforçar a união do grupo. Depois disso, os resultados começaram a melhorar”, contou.

A dirigente também explicou que o handebol moderno exige muita leitura tática e adaptação durante as partidas, especialmente em categorias de base.
“Cada equipe tem um perfil. Tem time mais físico, mais rápido, defesa mais fechada. A estratégia muda toda hora e as meninas precisam entender isso em quadra”, explicou.
Handebol feminino ganha espaço em Timbó
Além dos títulos recentes, o T-Rex Handball também vem ampliando sua atuação no município. Em 2026, o projeto iniciou oficialmente as atividades no masculino, algo muito pedido pela comunidade nas redes sociais.
Atualmente, as equipes disputam a Liga Santa Catarina em diversas categorias e seguem representando Timbó em campeonatos estaduais, regionais e nacionais.
No master feminino, a equipe também acumula resultados expressivos. O T-Rex já conquistou o Internacional SummerCup e participou do Brasil Master Games, reforçando a tradição do projeto também entre atletas adultas.
“Queremos continuar fazendo história”
Mesmo com todas as dificuldades estruturais, Ceci garante que o sonho do grupo está apenas começando.
A equipe já projeta disputar novamente a Copa Sul Mirim e seguir avançando para categorias superiores nos próximos anos.
“A gente já deixou nosso nome na história e queremos continuar nesse nível. O esporte transforma vidas, ensina disciplina, convivência e superação. Quanto mais crianças estiverem praticando esporte, melhor para todo mundo”, afirmou.
As informações sobre horários de treinos, polos gratuitos, competições e transmissões das partidas podem ser acompanhadas pelo Instagram oficial da equipe no T-Rex Handball.
Confira!










