“A justiça está vindo para a minha filha”: 10 anos após assassinato de menina de 12 anos, família acompanha primeira condenação do caso
Um dos acusados pelo crime foi condenado a 58 anos e nove meses de prisão em regime fechado.

Uma década após o assassinato de Ana Beatriz Schelter, a família da adolescente finalmente ouviu a primeira condenação relacionada ao caso que marcou Rio do Sul. O julgamento ocorreu em Florianópolis e terminou na madrugada da última quarta-feira (13), após cerca de 16 horas de sessão.
Um dos acusados pelo crime foi condenado a 58 anos e nove meses de prisão em regime fechado, além de nove meses e 26 dias em regime semiaberto. Outros dois envolvidos ainda devem passar por júri no mês de junho.
Ana Beatriz tinha apenas 12 anos quando desapareceu, em 2 de março de 2016, enquanto seguia para a escola. O corpo da menina foi encontrado no dia seguinte dentro de um contêiner às margens da BR-470. As investigações concluíram que ela foi morta por esganadura e vítima de violência sexual. A cena do crime ainda teria sido alterada.
Após o julgamento, os pais da adolescente, Cláudia e Ismael Schelter, falaram sobre o sentimento de ver o primeiro desfecho judicial depois de dez anos de espera. Os dois relataram o nervosismo vivido durante a votação dos jurados e descreveram a condenação como um alívio para a família.
“No começo, quando foi julgado ali nas votações, o meu coração estava disparado, tremendo demais pela sensação de justiça. Nós queríamos justiça. E depois, quando saiu a votação, foi um alívio”, disse Ismael.
“Está sendo um alívio porque a justiça está vindo para a minha filha. Tirando aquele peso, aquele cargo, que a gente tem tanto tempo, 10 anos lutando por justiça, por Ana Beatriz”, completou.
A mãe de Ana também relembrou os anos de mobilização da família e afirmou que a condenação representa mais do que justiça pela filha.
“E até eu fiz um vídeo ali no final, quando saiu a votação, que foi pela Ana, que a Ana, eu tenho certeza que ela está contente, ela está com nós, e ela está comemorando com nós a justiça dela”, afirmou.
“Não traz ela de volta, mas pelo menos também vai ajudar, que ele não vai fazer mais com nenhuma criança”, acrescentou.
Com exclusividade, a advogada Giliani Coelho, que acompanha o caso há mais de sete anos como assistente de acusação, afirmou ao Portal Misturebas que a relação construída com os pais de Ana Beatriz ultrapassou o trabalho jurídico ao longo do processo.
“Ao longo de mais de sete anos como assistente de acusação neste caso, estabeleci uma conexão profunda com a família de Ana Beatriz. O envolvimento transcendeu o aspecto jurídico, permitindo-me compreender a dor e a esperança que acompanharam cada etapa dessa longa jornada.”
Ela também destacou a carga emocional vivida durante o júri e o significado da atuação da acusação para os familiares da vítima.
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“Durante o júri, a emoção foi inevitável, pois reconheço que por trás de cada página dos autos existem vidas marcadas para sempre. O papel do assistente de acusação é precisamente este: ser a voz da vítima e de seus familiares, humanizando o processo e traduzindo as fases processuais.”
Giliani ainda agradeceu o trabalho do Ministério Público e da equipe do GAECO na condução das investigações.
“Agradeço profundamente ao Ministério Público de Santa Catarina pela atuação dedicada. E, de forma especial, aos policiais do GAECO pela investigação rigorosa e competente que fundamentou este processo.”
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