PF prende ex-prefeito em operação que investiga suposto desvio de verbas das enchentes no RS
A ordem de prisão é temporária, válida por cinco dias.

A Polícia Federal prendeu, na manhã da última quinta-feira (26), o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, durante nova etapa da Operação Lamaçal. A investigação apura suspeitas de irregularidades no uso de verbas destinadas à reconstrução do município após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.
A ordem de prisão é temporária, válida por cinco dias, com possibilidade de prorrogação. O período investigado corresponde a gestões anteriores e não envolve a administração atual.
Também foi detida a empresária Lorena Mercalli, apontada pelos investigadores como integrante do grupo empresarial que teria sido beneficiado pelos contratos sob análise.
A Justiça determinou ainda o afastamento de duas agentes públicas ligadas à época dos fatos: a vereadora de Encantado, Joanete Cardoso, e Elisete Mayer, que ocupava cargo de chefia de gabinete no Executivo municipal.
As decisões partiram do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que autorizou ainda 20 mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e retenção de veículos.
As diligências ocorreram em Lajeado e em cidades como Encantado, Muçum, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre.
Conforme a Polícia Federal, documentos e arquivos recolhidos na fase anterior fortaleceram a hipótese de que processos licitatórios teriam sido direcionados para favorecer empresas de um mesmo núcleo econômico.
Três concorrências públicas voltadas à prestação de serviços na área social estão no centro das apurações. A suspeita é de que as contratações não tenham seguido critérios de economicidade e que os valores pagos estejam acima do praticado no mercado.
Parte dos contratos foi firmada com dispensa de licitação, sob justificativa de situação de calamidade pública decretada em 2024. Dois desses acordos, que envolvem a contratação de profissionais como psicólogos, assistentes sociais, educadores, motoristas e auxiliares administrativos, alcançam aproximadamente R$ 120 milhões.
>> LEIA TAMBÉM: Prefeitos do Médio Vale se unem e articulam candidatura conjunta para sediar o JASC 2027
Os investigados poderão responder por crimes como desvio de recursos públicos, fraude em licitação, corrupção e lavagem de dinheiro.
Em manifestação oficial, a Prefeitura de Lajeado informou que as medidas judiciais se referem a contratos celebrados em administrações anteriores e destacou que tem colaborado com as autoridades, fornecendo as informações solicitadas.
A defesa do ex-prefeito declarou que ainda não teve acesso integral à decisão que embasou a prisão e considerou a medida desproporcional. Já a representante legal da empresária afirmou que aguarda acesso ao processo para se posicionar formalmente.










