Paraíso turístico de SC que cobra taxa de até R$ 200 tem salto de 370% nos casos de diarreia
O cenário ocorre em meio a um período de forte pressão sobre a infraestrutura da cidade.
Apesar da imagem associada a águas cristalinas e turismo de alto padrão, Bombinhas, no Litoral Norte de Santa Catarina, iniciou a temporada de verão sob alerta na área da saúde. Entre o fim de dezembro de 2025 e os primeiros dias de janeiro de 2026, o município registrou mais de quatrocentos atendimentos relacionados a quadros de diarreia aguda, um crescimento expressivo quando comparado ao mesmo período do ano anterior, conforme levantamento da Secretaria de Estado da Saúde.
A prefeitura afirma que a elevação nos números está diretamente ligada à modernização do sistema de vigilância sanitária. Uma revisão interna identificou falhas no modelo anterior, que não refletia com precisão a quantidade de pacientes atendidos com sintomas compatíveis com a doença.
Com a reorganização dos registros, capacitação das equipes e melhoria na coleta de dados, os casos passaram a ser contabilizados de forma mais rigorosa, reduzindo a subnotificação que existia até então.
O cenário ocorre em meio a um período de forte pressão sobre a infraestrutura da cidade. Com apenas 36 quilômetros quadrados, Bombinhas é o menor município catarinense em extensão territorial, mas recebe, durante o verão, um volume de turistas que multiplica a população local diversas vezes.
Reconhecida como Capital Nacional do Mergulho Ecológico, a cidade concentra dezenas de praias e lidera o ranking nacional de balneários com certificação Bandeira Azul, o que reforça sua atratividade turística.
Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado expõe fragilidades, especialmente no saneamento básico. Problemas relacionados a ocupações irregulares, descarte inadequado de resíduos e qualidade da água do mar têm sido recorrentes.
O mais recente relatório de balneabilidade do Instituto do Meio Ambiente apontou que parte significativa dos pontos monitorados no município não apresentava condições adequadas para banho no início de janeiro.
A situação ganhou repercussão após a divulgação de imagens que sugeriam o lançamento de material no mar da praia de Quatro Ilhas, uma das mais conhecidas da cidade. O episódio motivou mobilização de moradores, enquanto a concessionária responsável pelo esgotamento sanitário informou que se tratava apenas de sedimentos acumulados nas galerias de drenagem pluvial, descartando a hipótese de despejo de esgoto.
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Especialistas em saneamento alertam que o aumento da circulação de pessoas amplia a produção de resíduos e esgoto e, sem estrutura suficiente de coleta e tratamento, eleva o risco de contaminação ambiental e de doenças de veiculação hídrica.
Em Bombinhas, menos de um quinto da população está ligada à rede de esgoto, realidade que evidencia o desafio de conciliar o crescimento do turismo com a preservação ambiental e a proteção da saúde pública.








