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Diretores negros seguem ganhando muito menos: estudo do IBGE aponta disparidade salarial em altos cargos

Levantamento revela que mesmo com escolaridade, desigualdade persiste em todos os grupos ocupacionais.

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A desigualdade racial no mercado de trabalho brasileiro permanece evidente, inclusive em cargos mais altos da estrutura corporativa.

De acordo com a Agência Brasil, dados divulgados nesta quarta-feira (03), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que diretores e gerentes pretos ou pardos recebem, em média, 34% menos que profissionais brancos na mesma função.

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O estudo integra a Síntese de Indicadores Sociais 2024, que analisa trabalhadores com 14 anos ou mais. Enquanto um diretor ou gerente branco ganha mensalmente R$ 9.831, os negros recebem R$ 6.446, diferença de R$ 3.385.

O levantamento revela que a desigualdade salarial não se restringe aos cargos de chefia: em todos os dez grandes grupos ocupacionais analisados pelo IBGE, os brancos ganham mais que pretos ou pardos.

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A segunda maior diferença está entre profissionais das ciências e intelectuais (R$ 2.220 a mais para brancos), enquanto a menor ocorre nas Forças Armadas, policiais e bombeiros militares (R$ 934).

Na média geral, um trabalhador branco recebe R$ 4.119 por mês, contra R$ 2.484 de um trabalhador preto ou pardo, ou seja, 65,9% a mais.

Presença desigual em cargos de liderança

Além de ganharem menos, os trabalhadores negros também ocupam menos cargos de chefia:

  • 17,7% dos brancos são diretores ou gerentes

  • 8,6% dos pretos ou pardos ocupam essas funções

Já, em ocupações com menores salários, o cenário se inverte: 20,3% dos trabalhadores negros estão em atividades consideradas elementares, quase o dobro dos brancos (10,9%).

O IBGE mostra que concluir o ensino superior não equilibra a renda racial.

A hora trabalhada por brancos com diploma vale R$ 43,20, enquanto a de negros com o mesmo nível de escolaridade vale R$ 29,90, uma diferença de 44,6%, a maior entre todos os níveis educacionais.

Informalidade também pesa

A taxa de informalidade reforça a diferença racial: 45,6% dos trabalhadores pretos ou pardos estão na informalidade. Enquanto entre brancos, a taxa é de 34%. A média nacional é 40,6%.

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Segundo analisa o pesquisador João Hallak Neto, fatores como área de atuação, progressão de carreira e trajetória profissional influenciam o cenário de desigualdade.

Não importa a graduação, importa mais como a pessoa se inseriu no mercado de trabalho, se está exercendo ocupação compatível com o nível de instrução”, diz Hallak Neto.

Ele cita ainda que “tem também diferenças em relação à progressão da carreira, tem diferenças entre cursos, a gente sabe, notadamente, que profissionais médicos recebem mais que enfermeiros”.

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