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Travel shaming: o que é e como se relaciona aos tempos de pandemia?

Travel shaming: o que é e como se relaciona aos tempos de pandemia?
Foto: Divulgação

Hábito comum nas redes sociais hoje é visto como sintoma de alienação. Entenda mais sobre o travel shaming.

Quem gosta de fazer turismo sentiu bastante o impacto da Covid-19 na rotina. Viajar no Brasil sempre foi uma prática incentivada pelo governo, mas com a chegada da pandemia esse hábito teve de ser abandonado. Quem gosta de viajar e não abriu mão mesmo durante este perigoso período agora enfrenta um novo conceito: o travel shaming.

O que antes não era externado, hoje virou um fenômeno comportamental expressado em redes sociais. Entenda agora o que é travel shaming e seu impacto em diferentes setores.

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O que é travel shaming?

É um fenômeno surgido durante a pandemia de Covid-19 e se refere ao constrangimento ou ato de constranger quem está viajando neste momento. Exemplo: um influenciador digital posta que está em um restaurante com amigos em algum local paradisíaco e recebe diversos comentários criticando a atitude, pois estaria promovendo aglomeração e influenciando outras pessoas a viajarem em um período de isolamento social.

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Essa nova onda se compara a outro fenômeno observado no Brasil: o “fiscal de quarentena”, ou aquela pessoa que questiona e critica quem está rompendo o código ético de distanciamento.

Reflexo nos negócios

O segmento de turismo sofreu muito com a pandemia. A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) apontou que, entre março e dezembro de 2020, o setor perdeu R$55,6 bilhões em faturamento, quando comparado ao ano anterior.

O mais curioso é que, além da drástica queda de frequentadores (muitos hotéis e restaurantes se sustentam majoritariamente com turistas), o travel shaming também acabou afastando potenciais clientes.

Voltando ao exemplo do influenciador: ele estava em um grupo grande de amigos e dentro de um restaurante, que marcou na foto. O seguidor, vendo essa situação iminente de risco, tende a responsabilizar igualmente o local por permiti-la. Dessa forma, entende que o estabelecimento não adotou protocolos de segurança adequados.

Em abril, um hotel na Serra do Cipó (MG) foi interditado por descumprir um decreto do estado e hospedar influenciadores digitais. A denúncia foi feita pelos moradores locais, que viram registros nas redes sociais desses influencers. Mesmo quem viaja a trabalho relata estar sofrendo travel shaming. Mas por que isso acontece?

Sacrifício pessoal

Há pessoas que relatam estar há mais de um ano sem ver a família, por medo de agirem como um “vetor” do vírus até os pais e parentes mais velhos. Portanto, o travel shaming é uma forma de expressar esse incômodo de ver outras pessoas transitando como se nada estivesse acontecendo. Afinal de contas, se uma pessoa pode fazer sacrifícios, por que outras não podem?

Constrangimento ou ostentação indevida?

O turismo exibido por celebridades é, muitas vezes, chamado de turismo de ostentação. Viagens internacionais, hotéis de luxo, roupas e joias de grife já não eram bem-vistas há algum tempo, já que o Brasil vem mostrando queda de empregos e aumento da fome antes da pandemia. No entanto, quando durante a pandemia de Covid-19, acabam soando como um “descolamento” da realidade, principalmente de classes mais altas.

Perda do medo

O travel shaming é também um reflexo de outro comportamento observado nos últimos meses: mesmo na época em que o Brasil batia recordes de mortalidade diariamente e as UTIs estavam lotadas, grande parte do público parecia ter perdido o medo do vírus. Isso ficou bastante claro pela grande exposição de viagens nas redes sociais.

Há várias explicações neurocientíficas e psicológicas sobre esse hábito. Entre elas: distorção da percepção sobre a efetividade das medidas de segurança, a escolha por crendices e métodos não comprovados, além da escolha mental por “verdades” convenientes.

Outro problema é que o cérebro acaba se acostumando à dor alheia, mas não à própria. Por isso, pessoas que sofreram com a perda tendem a continuar cumprindo as normas de segurança, enquanto aquelas que viram parentes recuperados têm mais facilidade em flexibilizar.

 

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