O clima no Brasil e em outras partes do mundo pode passar por mudanças importantes nos próximos meses. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alerta que o El Niño está ganhando força rapidamente e tem probabilidade próxima de 100% de continuar ativo até fevereiro de 2027. A previsão também indica que o episódio pode figurar entre os mais intensos desde o início dos registros, em 1950.
A expectativa é que o fenômeno alcance sua maior intensidade em dezembro de 2026. Com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, aumenta a possibilidade de alterações na distribuição das chuvas e nas temperaturas, criando condições favoráveis a eventos climáticos extremos.
A situação exige atenção porque os efeitos não são iguais em todos os lugares. Enquanto algumas regiões podem enfrentar períodos prolongados de estiagem e temperaturas elevadas, outras ficam mais suscetíveis a chuvas volumosas, enchentes e inundações.
Santa Catarina e o Sul podem ter mais chuva
No Brasil, uma das principais preocupações envolve a Região Sul, onde o El Niño costuma favorecer o aumento das precipitações. Em Santa Catarina, esse padrão pode elevar o risco de temporais, alagamentos, enxurradas e cheias de rios, dependendo das condições meteorológicas de cada período.
O boletim de setembro do Painel El Niño, elaborado por instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), apontou alta probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. O documento também destaca riscos de cheias na Região Sul.
Isso não significa que todos os municípios terão chuva excessiva continuamente. A intensidade e a distribuição dos temporais dependem de outros sistemas atmosféricos, além da influência do El Niño. Por isso, as previsões locais e os alertas da Defesa Civil continuam sendo fundamentais para acompanhar os riscos.
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Norte e Nordeste podem enfrentar períodos de seca
Enquanto o Sul tende a registrar mais chuva durante episódios de El Niño, áreas do Norte e do Nordeste historicamente apresentam maior risco de estiagem. A combinação de precipitações reduzidas e temperaturas acima da média pode comprometer a disponibilidade de água e aumentar a vulnerabilidade de algumas atividades econômicas.
No Centro-Oeste e em partes do Norte e do Nordeste, o calor e a falta de chuva também podem favorecer condições mais propícias a incêndios florestais. Os efeitos sobre a agricultura dependem da época do plantio, da necessidade de água das culturas e da intensidade das alterações climáticas.
O Inmet ressalta que os impactos variam conforme a região e podem ser influenciados por outros fatores oceânicos e atmosféricos. Dessa forma, o fenômeno aumenta determinadas probabilidades, mas não determina sozinho como será o tempo em cada cidade.
O que explica o fortalecimento do El Niño?
O El Niño é uma fase do fenômeno climático conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENOS). Ele ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o habitual, alterando a circulação atmosférica e a maneira como o calor e a umidade se distribuem pelo planeta.
Segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, o fenômeno não produz calor novo: ele favorece a liberação de energia térmica que estava armazenada nas camadas abaixo da superfície do oceano. Essa transferência de calor influencia a atmosfera e contribui para mudanças nos padrões climáticos globais.
As projeções internacionais são elaboradas a partir de modelos climáticos e observações feitas por boias oceânicas, satélites e instrumentos que monitoram a atmosfera. A estimativa de continuidade até fevereiro de 2027 reúne o consenso de 13 centros nacionais e internacionais de previsão climática, segundo a organização.
Além do Pacífico, as temperaturas dos oceanos Índico e Atlântico também podem interferir na distribuição das chuvas e nas condições regionais. Por isso, a previsão dos impactos exige a análise conjunta de diferentes fatores, e não apenas da intensidade do El Niño.
Fenômeno pode influenciar as temperaturas globais
A OMM prevê temperaturas acima da média em diversas partes do mundo durante os próximos meses. O El Niño pode contribuir para agravar o calor, especialmente quando atua em conjunto com o aquecimento global provocado pelas atividades humanas.
Mesmo assim, a previsão de um evento muito intenso não significa que todos os lugares enfrentarão recordes de temperatura ou desastres naturais. O fenômeno altera as probabilidades climáticas, enquanto os impactos concretos dependem da região, da época do ano e da interação com outros sistemas meteorológicos.
No Brasil, os órgãos de monitoramento seguem acompanhando a evolução do fenômeno e atualizando as projeções de chuva, temperatura e possíveis riscos. A orientação é acompanhar os boletins meteorológicos e os avisos da Defesa Civil, principalmente em áreas sujeitas a alagamentos, enchentes, estiagens e queimadas.
Com o El Niño previsto para permanecer ativo até o início de 2027, o acompanhamento das condições climáticas será importante para orientar medidas preventivas e reduzir possíveis prejuízos à população, à agricultura e à infraestrutura.







