Lula cita “falcatrua” nas eleições, critica possível interferência dos EUA e faz alerta ao tribunal eleitoral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e fez uma declaração sobre a Justiça Eleitoral que gerou repercussão política na quarta-feira (9), durante um ato de campanha em Teresina, no Piauí.
Ao defender que o processo eleitoral brasileiro não sofra influência de outros países, Lula afirmou que os brasileiros devem decidir os rumos do país e mencionou a possibilidade de o “tribunal eleitoral” querer fazer “falcatrua”.
A declaração foi feita no mesmo contexto em que o presidente criticava uma eventual atuação do governo de Donald Trump nas eleições.
“Que não venham os americanos quererem influir nas nossas eleições. Que não venha o tribunal eleitoral querer falcatrua. Porque a gente sabe do que são eles capazes, e se vierem se meter aqui, a gente vai derrotá-los, vai derrotar os americanos e vai derrotar quem se meter”, afirmou Lula.
O presidente não apresentou, durante o discurso, evidências de uma eventual irregularidade por parte da Justiça Eleitoral e também não especificou a quais situações se referia ao dizer que “a gente sabe do que são eles capazes”.
Além disso, Lula utilizou a expressão “tribunal eleitoral”, sem mencionar nominalmente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dessa forma, a declaração não permite afirmar que o presidente tenha acusado diretamente o TSE de fraude.
Críticas a Donald Trump
A declaração ocorreu enquanto Lula falava sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos e defendia que nenhum governo estrangeiro interfira nas eleições brasileiras.
Em outro momento do discurso, o presidente voltou a citar Donald Trump e afirmou que o mandatário norte-americano deveria concentrar-se nos assuntos dos Estados Unidos.
“O Trump que se meta no país dele, aqui é problema nosso, dos brasileiros e ninguém tasca”, declarou Lula.
O presidente também afirmou que o Brasil deveria manter uma postura independente diante de outros países e destacou valores como caráter e dignidade ao defender a soberania nacional.
“Nós somos pobres, mas somos orgulhosos. Nós temos que dizer para eles que caráter e dignidade a gente não compra em shopping, não compra em aeroporto, traz da barriga da mãe, do pai”, afirmou.
Conversa entre Lula e Trump
A discussão sobre uma possível interferência norte-americana nas eleições brasileiras ocorre após uma conversa entre Lula e Trump no fim de agosto. Os dois presidentes mantiveram uma ligação telefônica de aproximadamente 1h20.
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Segundo Lula, durante a conversa, Trump perguntou sobre as eleições brasileiras. Após o contato, o presidente brasileiro afirmou que deixou claro que o Brasil não aceita interferência de outros países em seu processo eleitoral.
No discurso em Teresina, Lula retomou o assunto e afirmou que qualquer país que tente interferir nas eleições encontrará resistência por parte do Brasil.
“Isso a gente ensina para qualquer país que quiser se meter em nosso processo eleitoral”, disse.
Declaração repercute no cenário político
A menção a uma possível “falcatrua” por parte do “tribunal eleitoral” acrescentou um novo elemento ao discurso de Lula sobre a soberania do processo eleitoral.
A fala deve ser alvo de diferentes interpretações no cenário político, principalmente porque o presidente não detalhou quais fatos motivaram a afirmação.
No encerramento do trecho, Lula apresentou a eleição como uma escolha sobre os rumos do país e afirmou que estará em disputa a continuidade ou a mudança das políticas adotadas pelo governo.
“Essa eleição o que está em jogo é se a gente vai continuar avançando ou retroceder”, declarou.
Até o momento, no trecho citado do discurso, Lula não apresentou elementos que comprovem qualquer irregularidade da Justiça Eleitoral.
A declaração ocorreu dentro de uma fala mais ampla sobre soberania nacional e sobre sua posição contrária a uma eventual interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro.
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