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Aos 100 anos, Ponte dos Arcos é tema de pesquisa inédita conduzida por professores da FURB

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A Ponte Emilio Baumgart, popularmente conhecida como Ponte dos Arcos, em Indaial, completa 100 anos em outubro e é tema de um amplo levantamento histórico e técnico conduzido pelos professores Abrahão Bernardo Rohden e Matheus Bieging, do Departamento de Engenharia Civil da FURB (Universidade Regional de Blumenau). 

A iniciativa, realizada em parceria com uma empresa de engenharia da região, busca reunir informações sobre a construção, características técnicas e importância histórica da ponte.

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O material servirá de base para atividades acadêmicas que serão desenvolvidas com estudantes do curso de Engenharia Civil a partir do próximo semestre.

A primeira etapa do trabalho ocorreu em maio e contou com o uso de tecnologia de ponta. Um drone equipado com sensores especiais foi utilizado para escanear toda a estrutura da ponte.

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Segundo o professor Matheus Bieging, o equipamento realiza um mapeamento detalhado por meio de feixes semelhantes a raios laser, que captam informações precisas sobre posição, dimensões e altitude da estrutura.

Com os dados coletados, os pesquisadores conseguem criar um modelo tridimensional completo da ponte, permitindo uma análise detalhada de seu estado atual.

O levantamento ganha ainda mais relevância devido à escassez de documentos técnicos e projetos originais disponíveis sobre a obra centenária.

Além da importância regional, a Ponte dos Arcos ocupa um lugar de destaque na história da engenharia brasileira. De acordo com o professor Abrahão Rohden, a estrutura foi uma das primeiras do país a utilizar concreto armado, uma técnica inovadora para a época.

pesar de sua relevância, a ponte ainda possui pouca documentação histórica registrada em acervos especializados sobre as grandes obras brasileiras.

O responsável pelo projeto foi o engenheiro Emilio Baumgart, considerado o pai do concreto armado no Brasil. Entre suas principais realizações estão obras icônicas como o Edifício A Noite, no Rio de Janeiro, primeiro arranha-céu da América Latina, e o tradicional Copacabana Palace.

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Aos 100 anos, Ponte dos Arcos é tema de pesquisa inédita conduzida por professores da FURB
Créditos: Fábio Ferrari / Misturebas News

Acidente durante a construção mudou a história da engenharia

Inaugurada em 10 de outubro de 1926, quando Indaial ainda era distrito de Blumenau, a Ponte dos Arcos representou um importante avanço para a infraestrutura da região.

A inauguração foi celebrada pela população local e marcou uma nova fase para a mobilidade no Vale do Itajaí.

Entretanto, a estrutura que atravessa o Rio Itajaí-Açu quase teve um formato completamente diferente. O projeto original previa que os arcos fossem construídos na parte inferior da ponte.

Durante as obras, uma rápida elevação do nível do rio arrastou os moldes de madeira que aguardavam a concretagem, inviabilizando a execução do projeto inicial.

Diante do imprevisto, Emilio Baumgart reformulou a concepção estrutural da obra e transferiu os arcos para a parte superior da ponte, característica que se tornou sua principal marca visual. O episódio também serviu de inspiração para o desenvolvimento de um método construtivo inovador.

Segundo os pesquisadores, o acidente ocorrido em Indaial foi determinante para que Baumgart criasse o método dos balanços sucessivos, técnica que permite a construção de pontes de grandes vãos sem a necessidade de escoramentos apoiados no solo.

O sistema foi utilizado posteriormente na construção da ponte sobre o Rio do Peixe, entre Herval d’Oeste e Joaçaba, obra que ganhou reconhecimento internacional pela inovação empregada.

Ao completar um século de existência, a Ponte dos Arcos segue como um dos maiores símbolos de Indaial e da engenharia catarinense, agora com sua trajetória sendo resgatada para que sua importância histórica e técnica seja preservada para as futuras gerações.

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