Mulher mantida por décadas em condições análogas a escravidão é resgatada em Benedito Novo
As investigações começaram depois de denúncias encaminhadas aos órgãos fiscalizadores.

Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego revelou um cenário de violência silenciosa no interior de Benedito Novo. Uma mulher foi retirada de uma propriedade rural após viver mais de 40 anos em situação análoga à escravidão, submetida a trabalhos domésticos contínuos e sem qualquer acesso a salário, liberdade ou direitos básicos. O resgate aconteceu no último dia 12 de maio, mas os detalhes foram divulgados apenas nesta quinta-feira (21).
As investigações começaram depois de denúncias encaminhadas aos órgãos fiscalizadores. No local, auditores encontraram indícios de exploração prolongada, jornadas exaustivas e isolamento social.
Segundo os relatos apurados durante a ação, a vítima realizava tarefas domésticas desde a infância e praticamente não tinha convivência fora da residência. Pessoas da comunidade afirmaram que ela quase nunca era vista longe da propriedade.
A chegada das equipes provocou tensão. Familiares tentaram barrar a entrada dos agentes e impedir o contato com a mulher. Conforme relatado pelo G1, a Secretaria de Inspeção do Trabalho relatou que houve ameaças contra os profissionais envolvidos, inclusive com facas, mesmo diante da presença policial. A operação contou com apoio da Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho, Defensoria Pública da União e equipes de assistência social e psicologia.
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Após ser retirada da casa, a mulher recebeu acolhimento da rede de proteção e foi encaminhada para atendimento especializado. Os profissionais envolvidos relataram que ela demonstrava medo de deixar o imóvel e apresentava sinais de neurodivergência. As condições encontradas na moradia também foram consideradas precárias pelos fiscais.
Ainda segundo o G1, além da situação da vítima, a fiscalização encontrou uma serraria operando irregularmente dentro da mesma propriedade. Trabalhadores atuavam sem registro formal e expostos a riscos graves de acidentes, utilizando máquinas improvisadas e sem proteção adequada. Um dos funcionários relatou que trabalhava no local havia mais de dois anos sem acesso a direitos trabalhistas. A suspeita é de que pelo menos cinco pessoas estivessem em situação informal.










