Pai acusado de sequestrar a filha em Blumenau tenta reverter acusação após depoimento da criança
O relato da menina reacendeu as estratégias da defesa, que agora busca afastar a acusação de sequestro.

O caso que ganhou repercussão em Blumenau no início deste ano volta a chamar atenção após a realização de uma audiência no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), na qual a criança supostamente sequestrada pelo próprio pai, Anderson Rafael Hasse, de 40 anos, prestou depoimento. O relato da menina reacendeu as estratégias da defesa, que agora busca afastar a acusação de sequestro.
De acordo com o advogado de Anderson, o que houve não foi um sequestro, mas um ato de “legítima defesa” em favor da filha, que estaria exposta a riscos psicológicos e físicos no ambiente materno. Segundo ele, o depoimento da criança reforça essa versão: “Ela perguntou quando poderia ver o pai novamente. Isso foi muito emocionante para nós”, relatou o defensor, Ascensão, que acompanhou a audiência com representantes do Ministério Público e do Judiciário.

Anderson foi preso no Rio de Janeiro em março, após desaparecer com a filha de 8 anos, que deveria ter sido devolvida à mãe ao fim de um final de semana de visita. Em vez disso, segundo as investigações, o pai teria planejado fugir com a criança, o que motivou um pedido de prisão temporária por sequestro e cárcere privado. Ele foi solto dois meses depois, sob medidas cautelares, com monitoramento por tornozeleira eletrônica e proibição de contato com a filha ou com a mãe da criança.
A estratégia jurídica da defesa agora é tentar convencer o Ministério Público a não apresentar denúncia formal por sequestro, e, como alternativa, que o pai responda apenas por descumprimento de acordo judicial, uma infração de menor potencial ofensivo. O advogado também afirma que existem laudos e relatos psicossociais anexados ao processo que indicam possíveis episódios de abuso no núcleo familiar materno, os quais teriam motivado a reação de Anderson.
O pai agiu motivado por preocupação com a integridade da filha. Não houve qualquer tipo de violência, muito menos intenção de sequestrar”, afirma o advogado e conta ainda que “o objetivo é reconstruir a convivência entre os dois e, quem sabe, no futuro, retomar a guarda compartilhada”.
O caso teve início no dia 28 de fevereiro, quando a menina saiu para o final de semana de visita com o pai. Pela decisão judicial, ela deveria ser devolvida à escola na quarta-feira, 5 de março, às 13h15, por conta do feriado de Carnaval. Isso não ocorreu. A mãe, ao tentar buscar a filha mais tarde, descobriu o desaparecimento.
A investigação da Polícia Civil apontou que Anderson já vinha se preparando para a fuga há meses. Testemunhas relataram que ele havia vendido bens, como o carro e instrumentos musicais, e contraído um empréstimo bancário de R$ 60 mil, supostamente para financiar a fuga com a filha. No dia do desaparecimento, ele foi deixado com malas e pertences na região do Morro do Baú, em Ilhota, e contou a um motorista de aplicativo que seguiria viagem com amigos para o interior do estado. No entanto, os supostos amigos negaram envolvimento.
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Outro ponto mencionado no inquérito é a prática de alienação parental. De acordo com o relatório da investigação, Anderson teria manipulado emocionalmente a criança contra a mãe e a família materna, o que influenciou a perda da guarda da filha anteriormente.
Em 20 de março, após quase três semanas de desaparecimento, Anderson se apresentou voluntariamente com a filha na 11ª Delegacia da Rocinha, no Rio de Janeiro. Ele foi preso e, depois de dois meses, liberado em 22 de maio, com restrições judiciais.
Agora, a defesa espera que o depoimento da menina, somado aos documentos anexados ao processo, permita a retomada do contato entre pai e filha.










