Pressão popular impede votação de projeto que cria 40 cargos em Indaial
Moradores lotam a câmara contra a proposta do prefeito que pode gastar R$ 5,2 milhões por ano
A Câmara de Vereadores de Indaial viveu uma noite de grande mobilização e pressão popular na sessão de quinta-feira, 27.
Mais de 200 pessoas ocuparam o plenário para protestar contra o Projeto de Lei Complementar (PL) 4/2025 do Executivo que previa a criação de 40 novos cargos comissionados e a ampliação de secretarias municipais.
Ivo Schnaider, presidente do Sindicato de Servidores de Indaial, foi um dos responśaveis por organizar a mobilização e falou durante a Sessão:
A partir de hoje, haverá vigília em todas as sessões da Câmara de Vereadores. Estamos informados sobre todos os projetos e acompanharemos de perto.
A pressão popular fez com que a matéria nem sequer fosse pautada para votação.
O que previa o projeto
A proposta enviada pelo prefeito previa um aumento no número de cargos comissionados de 40 para 80, com reajustes salariais que poderiam chegar a R$ 5 mil.
O texto também sugeria a reestruturação da administração municipal, aumentando o número de secretarias de 12 para 14 e elevando significativamente o gasto com folhas de pagamento.
Atualmente, o salário de um secretário municipal é de R$ 12.123, mas, com o reajuste proposto, passaria a R$ 16.166. Os coordenadores subiriam de 24 para 28, diretores de 24 para 30, e supervisores de 17 para 32.
Além disso, gratificações de até R$ 2.000 seriam criadas, ampliando ainda mais os custos. O impacto financeiro estimado é de aproximadamente R$ 5,2 milhões por ano.
Mobilização e pressão popular
Diante da possibilidade de aprovação do PL, moradores de Indaial se mobilizaram e compareceram em peso à sessão da Câmara. Segundo informações enviadas ao Misturebas News, oi o maior público registrado no local nos últimos anos.
A revolta da população se intensificou ao saber que o projeto seria votado em um momento em que o município enfrenta dificuldades financeiras, com um déficit de R$ 20 milhões apontado em recente balanço fiscal.
Com discursos inflamados, cidadãos criticaram a ampliação da máquina pública enquanto problemas como infraestrutura precária, falta de investimentos na saúde e dificuldades no setor de obras persistem.
Muitos apontaram que os recursos públicos deveriam ser aplicados em melhorias essenciais, e não em cargos políticos.
Sessão extraordinária pode ser convocada
Embora a votação tenha sido barrada por devido à pressão popular, há rumores de que o Executivo municipal possa convocar uma sessão extraordinária para discutir a matéria.
O movimento contrário ao PL já se organiza para seguir acompanhando os trabalhos legislativos e reforçar a presença na Câmara.
Lideranças comunitárias convocaram os cidadãos a se manterem vigilantes e a comparecerem a todas as sessões em que propostas semelhantes forem debatidas.
O objetivo é impedir que o projeto seja aprovado sem o devido debate com a sociedade.
Impacto no servidor público
Outro ponto de insatisfação é o tratamento dado aos servidores municipais.
Enquanto o reajuste para os cargos comissionados poderia chegar a 33%, os servidores de carreira tiveram aumento de apenas 3%, parcelado ao longo do ano, segundo o PL 3/2025.
Para muitos, a proposta representa uma desvalorização dos trabalhadores que já estão na administração.
O sindicato da categoria também se posicionou contra o PL e prometeu reforçar a fiscalização das futuras votações.
“A partir de amanhã, já estaremos convocando para as próximas discussões. Tragam mais pessoas, mobilizem a comunidade, porque quem está sendo prejudicado não é apenas o servidor público, é toda a população.”
O que dizem os vereadores
Os parlamentares contrários ao projeto destacaram que o aumento de gastos não condiz com a realidade financeira do município.
Leia também:
Já os vereadores favoráveis ao PL defendem que a reestruturação administrativa é necessária para melhorar a gestão pública.
A Câmara ainda não se manifestou oficialmente sobre a possibilidade de pautar o projeto novamente.
Caso uma sessão extraordinária seja convocada, a pressão popular promete continuar.
“Diante desse absurdo, convocamos todos os servidores públicos a comparecerem às sessões da Câmara a partir de agora. Se a maioria dos vereadores apoiar esse projeto, ele será aprovado. Por isso, precisamos pressionar para impedir esse retrocesso,” afirmou o presidente do Sindicato de Servidores.







