Mensagens recuperadas de celular de Vorcaro revelam contato frequente com Alexandre de Moraes
Uma análise do celular de Vorcaro identificou 316 registros de interações com o magistrado.

Uma sequência de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta uma relação de proximidade entre os dois antes da prisão do proprietário do Banco Master.
Segundo informações divulgadas pelo Portal Estado de Minas, uma análise do celular de Vorcaro identificou 316 registros de interações com o magistrado nos dois meses que antecederam a detenção do empresário.
O levantamento recuperou parte de conversas que haviam sido apagadas do WhatsApp por meio do recurso de mensagens temporárias, configurado para excluir os conteúdos após 24 horas.
Até então, eram conhecidas 52 mensagens enviadas por Vorcaro em formato de imagens de visualização única. Agora, foram identificadas outras 17 mensagens inéditas, além de registros de fotografias, chamadas e notificações do aplicativo.
Entre os conteúdos recuperados está uma mensagem enviada por Moraes em 24 de outubro de 2025. Ao encaminhar uma imagem, o ministro escreveu: “Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs”.
O arquivo de imagem, entretanto, não foi recuperado. Outros trechos também mostram conversas informais e combinações relacionadas a possíveis encontros.
Um dos episódios que chama a atenção ocorreu em 14 de novembro, três dias antes da prisão de Vorcaro. Na ocasião, Moraes pediu que o banqueiro avisasse quando o avião pousasse.
O empresário respondeu que estava em voo e, posteriormente, confirmou a chegada. Pouco depois, o ministro escreveu que estava a caminho.
Conforme o Portal Estado de Minas, Vorcaro havia viajado de São Paulo para Brasília em seu jato particular naquela tarde. As mensagens reforçam a suspeita de que os dois tenham se encontrado na capital federal, mas os registros recuperados não comprovam, isoladamente, que a reunião aconteceu.
Outro trecho identificado é de 12 de novembro. Nas mensagens, os dois conversaram sobre família, e Vorcaro elogiou Moraes pelo papel de pai. O ministro respondeu que transmitiria os cumprimentos.
A conversa ocorreu após o banqueiro ter sugerido um encontro na noite anterior, mas demonstrado preocupação em não atrapalhar os compromissos familiares do magistrado.
Celular foi apreendido pela Polícia Federal
Os registros foram identificados em bancos de dados secundários do WhatsApp armazenados no aparelho de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025.
Mesmo quando uma mensagem temporária é excluída do banco de dados principal, fragmentos das informações podem permanecer em outros arquivos internos do aplicativo.
A análise também identificou um registro do sistema do iPhone indicando o envio de 187 mensagens de Vorcaro para Moraes entre 17 de setembro e 17 de novembro daquele ano. Os outros 129 registros correspondem a mensagens recebidas do ministro e notificações do WhatsApp.
O histórico anterior à retomada das conversas, em setembro de 2025, é mais difícil de reconstruir porque Vorcaro havia apagado o conteúdo da conversa com Moraes. Por isso, parte das comunicações não pôde ser recuperada.
Relação já era alvo de questionamentos
A proximidade entre os dois também aparece nas mensagens que já haviam sido encaminhadas pela Polícia Federal ao Supremo. Nelas, Vorcaro demonstrava preocupação com possíveis medidas contra o Banco Master e procurava obter ajuda de Moraes.
O banqueiro mencionava Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, ao tratar de possíveis alternativas para evitar consequências ao banco.
Em uma das mensagens, Vorcaro questionou se havia possibilidade de adiar uma ação das autoridades. Em outra, perguntou ao ministro se acreditava que alguma medida poderia ocorrer na manhã seguinte. O conteúdo indicava a preocupação do empresário com a possibilidade de ser alvo de uma operação.
O vínculo entre Vorcaro e o entorno do ministro também envolve o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. A banca foi contratada pelo Banco Master em um acordo que teria alcançado quase R$ 130 milhões.
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Moraes contesta relatório da PF
A divulgação dos registros ocorre em meio a questionamentos sobre a autenticidade e a integridade das informações extraídas do celular. A defesa de Vorcaro levantou dúvidas sobre a cadeia de custódia do aparelho, enquanto Alexandre de Moraes também contestou o relatório elaborado pela Polícia Federal.
Em manifestação ao Supremo, o ministro negou ter mantido as conversas atribuídas a ele e afirmou que não existem mensagens ou textos escritos por ele no material apresentado.
Moraes classificou as informações como falsas e alegou que a divulgação seria uma retaliação política relacionada à sua atuação nos processos sobre a tentativa de golpe de Estado.
O ministro também sustentou que não há comprovação de diálogos efetivos entre os dois. A defesa de Vorcaro, por sua vez, classificou o relatório da PF como mentiroso e afirmou que sua produção teria sido motivada por vingança.
Procurados pelo UOL, Alexandre de Moraes e os advogados de Vorcaro não se manifestaram sobre o novo levantamento. O caso segue sob análise no STF, onde poderá ser avaliada a abertura de uma investigação sobre a relação entre o magistrado e o ex-banqueiro.








