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Presidente do Senado propõe perdão a Jair Bolsonaro para tentar garantir reeleição, mas direita resiste

Senadores do PL desconfiam de Alcolumbre após promessa anterior de anistia não avançar.

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A tentativa de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) de ampliar seu apoio político para continuar à frente do Senado em 2027 esbarra na resistência de parlamentares bolsonaristas.

O presidente da Casa estaria disposto a articular uma saída jurídica para Jair Bolsonaro (PL), por meio de indulto ou anistia, mas a iniciativa não convenceu boa parte da oposição, que mantém a intenção de lançar candidatos próprios.

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A disputa envolve interesses que vão além da situação do ex-presidente. Parlamentares da direita querem ampliar sua influência sobre o Senado e manter na agenda os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente de Alexandre de Moraes.

Para esse grupo, controlar a presidência da Casa seria uma forma de dar andamento a essas iniciativas e aumentar a pressão política sobre o Judiciário.

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A desconfiança em relação a Alcolumbre também tem relação com o apoio recebido por ele na eleição anterior. Em 2025, senadores bolsonaristas participaram da articulação que garantiu sua chegada ao comando do Senado, esperando que a pauta da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 avançasse. Entretanto, o Congresso aprovou uma proposta mais limitada, voltada à redução das penas.

A chamada Lei da Dosimetria acabou suspensa por uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, enquanto o Supremo analisa questionamentos sobre sua constitucionalidade.

Esse episódio é apontado por integrantes da oposição como um dos motivos para não confiarem nas novas sinalizações do senador.

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), eleito senador, afirmou que a discussão não se limita à situação de Bolsonaro. Para ele, a questão envolve a independência entre os Poderes. Jordy também criticou a condução de Alcolumbre e declarou que a oposição não esqueceu o compromisso anterior relacionado à anistia.

Na mesma linha, o senador Jorge Seif (PL-SC) descartou a possibilidade de apoiar a recondução do atual presidente do Senado. Segundo ele, a proposta de anistia já fazia parte dos entendimentos anteriores, quando os bolsonaristas apoiaram Alcolumbre.

Proposta pode envolver Lula e o Congresso

A estratégia discutida por Alcolumbre teria dois caminhos. O primeiro seria conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para defender um indulto humanitário a Bolsonaro. Caso não consiga o apoio do chefe do Executivo, o senador poderia trabalhar por uma proposta de anistia no Congresso Nacional.

A iniciativa teria sido levada ao presidente do Senado pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE). Ele afirmou que a intenção seria diminuir a tensão política entre os Poderes e negou que a proposta tenha sido apresentada como uma troca direta por votos na eleição interna.

As duas possibilidades, porém, possuem diferenças jurídicas. O indulto é concedido pelo presidente da República por decreto e perdoa a pena, mas não elimina a condenação.

Já a anistia precisa ser aprovada pelo Congresso por meio de lei e extingue os efeitos penais dos crimes abrangidos. A constitucionalidade de ambas as medidas pode ser questionada no STF.

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Marinho e Tereza Cristina disputam espaço

Enquanto Alcolumbre tenta ampliar sua base de apoio, a oposição se movimenta para apresentar alternativas. O PL pretende lançar Rogério Marinho (RN) à presidência do Senado, enquanto Tereza Cristina (PP-MS) também manifesta interesse em concorrer.

A eleição está prevista para fevereiro de 2027, quando começa a próxima legislatura. O PL terá 29 das 81 cadeiras da Casa, mas precisará conquistar apoio de outros partidos para alcançar os 41 votos necessários à vitória.

Outro obstáculo para a oposição é a quantidade de votos exigida para afastar ministros do Supremo. Embora pelo menos 49 integrantes da próxima composição tenham manifestado apoio a pedidos de impeachment, são necessários 54 votos para aprovar o afastamento.

Com a votação secreta, Alcolumbre ainda pode conquistar apoio individual de senadores que não declaram publicamente alinhamento à sua candidatura. Mesmo assim, a resistência de setores do PL indica que uma eventual proposta de benefício a Bolsonaro, por si só, não garante sua recondução ao comando do Senado.

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