Ações de empresas brasileiras caem até 28% nos EUA após reeleição de Lula
Bancos, Petrobras e outras empresas brasileiras caíram em Nova York após a reeleição de Lula, enquanto o EWZ recuou mais de 26% em meio a incertezas econômicas.
As ações de grandes empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos registraram fortes quedas no pré-mercado desta segunda-feira (26), após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser reeleito presidente da República no domingo (25), derrotando o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026.
A reação negativa atingiu companhias de diferentes setores, incluindo bancos, petróleo e comércio eletrônico. Entre os destaques, ações do Itaú Unibanco e do Bradesco chegaram a registrar desvalorizações próximas de 28%, enquanto os papéis da Petrobras também sofreram perdas expressivas.
O movimento refletiu a frustração de investidores que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro e esperavam mudanças na condução da política econômica.
Um dos principais termômetros desse movimento foi o iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), fundo negociado em Nova York que acompanha uma carteira de grandes e médias empresas brasileiras.
Por volta das 7h41, no horário de Brasília, o fundo era negociado a US$ 31,51, com queda de 26,02% em relação ao fechamento anterior, de US$ 42,59, conforme os dados divulgados pelo mercado financeiro.
Petrobras e bancos estão entre os mais afetados
As perdas atingiram empresas de grande peso no mercado brasileiro. No pré-mercado norte-americano, os números variavam conforme o horário de consulta, mas as quedas chegaram a dois dígitos em diversos papéis.
Entre os destaques estavam:
- Petrobras: recuo superior a 20%;
- Itaú Unibanco: queda próxima de 28%;
- Bradesco: desvalorização próxima de 27%;
- Nubank: baixa que chegou a cerca de 24% em algumas cotações divulgadas;
- Mercado Livre: recuo de aproximadamente 10,3%;
- EWZ: queda superior a 26%.
Os percentuais correspondem a cotações observadas em horários específicos do pré-mercado e podem apresentar diferenças entre as atualizações. Por isso, não representam necessariamente os preços de fechamento das ações nesta segunda-feira.
Por que a vitória de Lula provocou reação negativa?
A principal preocupação dos investidores está relacionada à política fiscal, ao controle das despesas públicas, à trajetória da dívida e às perspectivas para os juros no Brasil.
Antes do segundo turno, parte do mercado financeiro apostava em uma vitória de Flávio Bolsonaro, associada por investidores à possibilidade de uma agenda econômica mais favorável às reformas e ao controle dos gastos públicos.
Com a reeleição de Lula, essas expectativas foram revistas, provocando uma mudança rápida no posicionamento de investidores.
Em análise publicada nesta segunda-feira, o InfoMoney destacou que o resultado eleitoral poderia provocar forte volatilidade no câmbio, nos juros futuros e na Bolsa brasileira.
O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, avaliou que o mercado poderia passar por uma correção após a valorização registrada entre os dois turnos.
A preocupação não significa, necessariamente, que todas as empresas afetadas terão uma piora imediata nos resultados operacionais.
As cotações também refletem expectativas sobre o cenário econômico, os riscos percebidos pelos investidores e as perspectivas para os próximos anos.
Queda pode aumentar a pressão sobre o dólar e os juros
A reação dos mercados também alcançou o câmbio. Contratos futuros negociados em Chicago indicavam uma desvalorização expressiva do real, com o dólar equivalente chegando à faixa de R$ 5,55 a R$ 5,58, conforme as cotações observadas no início da manhã.
Esses valores são referências implícitas nos contratos negociados no exterior e não correspondem à cotação oficial do dólar comercial no Brasil.
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A combinação de incertezas fiscais, pressão cambial e expectativas de juros mais elevados preocupa investidores porque pode encarecer o crédito, aumentar os custos de financiamento das empresas e dificultar a recuperação de setores dependentes do consumo.
Outro ponto de atenção é o desempenho da Bolsa brasileira.
Antes da eleição, o Ibovespa havia superado a marca de 200 mil pontos durante o movimento de valorização observado após o primeiro turno. A mudança nas expectativas políticas provocou uma reavaliação das apostas do mercado.
O que é o EWZ e por que sua queda chama atenção?
O EWZ é um fundo de índice negociado nos Estados Unidos que busca acompanhar o desempenho de ações brasileiras de grande e médio porte. Na prática, permite que investidores estrangeiros tenham exposição ao mercado brasileiro sem precisar negociar diretamente na Bolsa do Brasil.
Por ser negociado em Nova York, o fundo também funciona como um indicador das expectativas dos investidores internacionais em momentos nos quais a Bolsa brasileira está fechada.
Uma queda tão expressiva sinaliza uma mudança significativa no apetite pelo risco associado aos ativos brasileiros, embora não determine, por si só, o comportamento posterior do Ibovespa.
A atenção agora se volta para a abertura dos mercados e para os próximos sinais do governo sobre a condução da economia, especialmente em relação às contas públicas, à dívida e à política fiscal.
O comportamento das ações ao longo do pregão poderá mostrar se as perdas observadas no pré-mercado serão mantidas ou parcialmente revertidas.
Informações divulgadas por: InfoMoney, Exame e Folha de S.Paulo. Os percentuais apresentados referem-se a momentos específicos das negociações e podem variar durante o pregão.







