Lula leva disputa com Flávio Bolsonaro à Justiça e pede anulação da candidatura
A suspeita é de que a Meta tenha prejudicado conteúdos de Lula nas redes sociais.
A disputa pela Presidência ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (20), com a decisão da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de questionar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O movimento tem como base suspeitas de que a Meta, responsável pelo Instagram e pelo WhatsApp, teria prejudicado a divulgação de conteúdos ligados ao presidente e beneficiado o senador durante a campanha eleitoral.
A equipe petista pretende apresentar um recurso por suposta manipulação dos algoritmos das plataformas, acompanhado de um pedido para que a candidatura de Flávio seja anulada.
As informações foram divulgadas pela agência AFP, com base em relatos de pessoas ligadas à campanha e ao tribunal. O caso deve ser discutido em uma reunião envolvendo representantes da empresa e advogados dos dois candidatos.
O embate ocorre após reclamações de que anúncios eleitorais de Lula foram desativados e de que ferramentas de inteligência artificial da Meta apresentariam comportamentos diferentes ao receber solicitações para produzir materiais sobre os concorrentes.
A empresa contesta a acusação de favorecimento, mas reconheceu a ocorrência de falhas técnicas, alegando que os problemas não se limitaram ao Brasil.
A pressão sobre a companhia aumentou depois que o TSE estabeleceu um prazo de 24 horas, na segunda-feira (19), para que fossem apresentadas provas de cumprimento das regras de igualdade entre as campanhas.
A determinação veio após o tribunal avaliar que as exigências anteriores não haviam sido atendidas como esperado. A penalidade prevista em caso de descumprimento pode chegar a aproximadamente R$ 1 milhão por dia. Nesta terça, a Meta afirmou ter seguido a ordem judicial.
Entre as medidas anunciadas pela empresa estão a restrição de publicidade eleitoral paga a candidatos e partidos registrados na Justiça Eleitoral e a remoção de 720 publicações feitas com inteligência artificial que não continham a identificação necessária.
Apesar das providências, o Comitê de Supervisão da própria Meta apontou problemas recorrentes relacionados a conteúdos sobre as eleições presidenciais brasileiras e as eleições legislativas norte-americanas.
A discussão acontece em meio a uma disputa acirrada. Lula, de 80 anos, busca um quarto mandato, enquanto Flávio, de 45, representa o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Pesquisas recentes indicam empate técnico entre os dois em um eventual segundo turno.
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As acusações também envolvem o cenário internacional. Lula sustenta que o governo dos Estados Unidos tenta interferir no processo eleitoral brasileiro para favorecer o senador, que tem ligação política com o pai, aliado de Donald Trump. O presidente americano comemorou o desempenho de Flávio no primeiro turno, embora não tenha declarado apoio formal à candidatura.
A campanha do senador, por sua vez, também apresentou queixas contra o adversário. No sábado (17), aliados de Flávio acusaram o grupo de Lula de promover propaganda negativa com suposto auxílio da Meta.
Com denúncias dos dois lados, a atuação das plataformas digitais passou a ocupar espaço central na disputa, enquanto a Justiça Eleitoral deverá avaliar os questionamentos apresentados pelas campanhas.







