O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, rebateu informações que circulam nas redes sociais afirmando que pretende acabar com o Programa Farmácia Popular caso seja eleito. A declaração ocorre em meio à disputa eleitoral e à circulação de conteúdos que atribuem ao parlamentar uma fala sobre o encerramento da iniciativa.
“Isso é uma mentira. Inclusive, foi durante o governo do PT que o Lula cortou verba exatamente da Farmácia Popular”, declarou o senador ao contestar as publicações.
Segundo checagem publicada pelo Aos Fatos em 8 de outubro de 2026, não foram encontrados registros públicos de que Flávio tenha afirmado que pretende extinguir o programa. A assessoria da campanha também negou a autoria da declaração atribuída a ele. Além disso, a campanha informou que pretende manter a iniciativa.
Orçamento do programa teve previsão de redução em 2023
Apesar de contestar a informação sobre o fim do Farmácia Popular, Flávio mencionou um episódio real ao falar sobre o histórico de recursos destinados ao programa. No entanto, a questão exige contexto.
Em 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, a proposta orçamentária para 2023 previa reduzir os recursos do Farmácia Popular de aproximadamente R$ 2,48 bilhões para R$ 1,01 bilhão, uma diminuição próxima de 60%.
A previsão consta em documentos orçamentários analisados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O valor menor, porém, fazia parte da proposta para o exercício seguinte, e não significa que o corte tenha sido executado integralmente. A redução prevista acabou sendo revertida durante a transição para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O episódio é relevante para o debate porque mostra que o orçamento do programa esteve sob risco de redução antes mesmo da atual disputa eleitoral. Isso, por si só, não comprova que Flávio pretenda encerrar a iniciativa, nem confirma a declaração falsa que circulou nas redes sociais.
TSE determina retirada de vídeo da campanha de Lula
A discussão também chegou à Justiça Eleitoral. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a campanha de Lula retirasse do ar um vídeo que relacionava propostas de redução de gastos defendidas por Flávio a possíveis cortes em programas sociais.
Entre as iniciativas mencionadas no conteúdo estavam o Farmácia Popular, o Minha Casa, Minha Vida, o Pé-de-Meia e outros benefícios. Segundo a decisão divulgada em 9 de outubro, o material deveria ser removido por associar as propostas econômicas do adversário a consequências apresentadas sem respaldo objetivo suficiente. A determinação também proibiu a republicação do vídeo, sob pena de multa.
A decisão judicial não equivale a uma confirmação de que não haverá mudanças orçamentárias nos programas sociais. Ela se refere ao conteúdo específico da propaganda questionada e aos fundamentos apresentados no processo.
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Como funciona o Farmácia Popular
Criado em 2004, o Programa Farmácia Popular do Brasil amplia o acesso a medicamentos e insumos de saúde por meio de farmácias credenciadas. Atualmente, oferece gratuitamente itens destinados ao tratamento de condições como hipertensão, diabetes, asma, osteoporose, colesterol alto, rinite, glaucoma e doença de Parkinson, além de fraldas geriátricas e absorventes higiênicos, conforme os critérios de acesso.
De acordo com o Ministério da Saúde, o programa beneficiou mais de 27 milhões de pessoas em 2025. Em setembro de 2026, a pasta informou que a iniciativa disponibiliza 41 itens gratuitos.
Diante da circulação de informações sobre o futuro do programa, é importante distinguir declarações comprovadas, propostas orçamentárias e interpretações feitas pelas campanhas eleitorais. Até a publicação da checagem do Aos Fatos, não havia registro público da suposta declaração de Flávio Bolsonaro sobre o encerramento do Farmácia Popular.
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