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Casas Bahia fecha quase 300 lojas e coloca produtos em leilão com descontos de até 60%

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A Casas Bahia iniciou uma grande liquidação de produtos retirados de lojas físicas fechadas durante o processo de reestruturação da companhia. Móveis, eletrodomésticos, celulares e eletrônicos estão sendo oferecidos em um leilão online com descontos que chegam a 60%.

A ação ocorre poucos dias depois de a varejista anunciar o fechamento de 298 unidades em todo o país e entrar com pedido de recuperação judicial.

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Os produtos estão sendo comercializados pela plataforma Kwara, responsável pelo leilão. Os interessados podem apresentar seus lances até as 15h de quinta-feira (20). Diferentemente de uma promoção tradicional de loja, a compra ocorre por meio de lances e segue regras específicas estabelecidas no edital.

Entre as principais condições está a ausência de garantia para os produtos arrematados, além da impossibilidade de troca ou devolução. Caso o vencedor desista da compra depois de arrematar o item, será aplicada uma multa correspondente a 30% do valor do lance.

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O pagamento deve ser realizado em até um dia útil, via Pix, e a retirada das mercadorias precisa ser previamente agendada com a plataforma. Os custos de transporte ficam por conta do comprador.

As regras mais restritivas ajudam a explicar por que alguns produtos ainda apresentam poucos interessados. Segundo a reportagem da Veja, há itens com apenas um ou dois lances registrados. Isso significa que, embora os descontos possam chegar a 60%, os consumidores precisam avaliar cuidadosamente as condições antes de participar do leilão.

A liquidação ocorre em meio a uma das maiores crises financeiras da história recente da Casas Bahia. A empresa protocolou no domingo (16) um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para tentar reorganizar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.

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O processo envolve bancos, fundos de investimento, seguradoras, fornecedores, despesas de aluguel e obrigações trabalhistas.

Do total da dívida, cerca de R$ 16,4 bilhões correspondem a credores quirografários, ou seja, compromissos sem garantias. Também estão incluídos aproximadamente R$ 754 milhões em dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões com micro e pequenas empresas.

A companhia afirma que a deterioração das condições financeiras foi agravada pelos juros elevados, restrição ao crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo.

O fechamento das lojas faz parte do plano para reduzir despesas e concentrar a operação em unidades e categorias consideradas mais rentáveis. As 298 lojas representam aproximadamente 29% das 1.034 unidades que a companhia possuía no fim de junho. A empresa também anunciou uma redução do quadro de funcionários, com sindicatos estimando que os cortes possam atingir milhares de trabalhadores.

A situação financeira se agravou após a Casas Bahia registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.

O resultado foi fortemente influenciado por efeitos contábeis não recorrentes de R$ 9,1 bilhões. Sem esses efeitos, o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões. Apesar do cenário, a receita líquida cresceu 1,6% no período, chegando perto de R$ 7 bilhões, enquanto as despesas com vendas aumentaram 17%, para R$ 1,8 bilhão.

A recuperação judicial não significa, neste momento, o encerramento das atividades.

A Casas Bahia afirma que continuará operando suas lojas e canais digitais normalmente enquanto busca renegociar e alongar suas dívidas. A estratégia anunciada prevê uma companhia menor, com foco em operações de maior margem, redução de custos e melhoria do giro dos estoques.

Nesta quarta-feira (19), a empresa também informou à Comissão de Valores Mobiliários que continua buscando alternativas para reforçar o caixa, mas negou que tenha fechado um acordo para obter um eventual empréstimo de R$ 1 bilhão.

Entre as possibilidades avaliadas estão financiamentos destinados a empresas em recuperação judicial, renegociação de tributos e utilização de depósitos judiciais.

A atual crise ocorre pouco mais de dois anos depois de a companhia passar por uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas.

Agora, a empresa tenta reorganizar uma estrutura financeira muito maior enquanto reduz sua presença física e aposta em uma operação mais enxuta.

Para quem pretende participar do leilão, a principal recomendação é atenção às regras.

O desconto anunciado de até 60% pode representar uma oportunidade, mas os produtos são vendidos dentro das condições estabelecidas no edital, sem garantia, troca ou devolução e com penalidade em caso de desistência após o arremate.

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